Católicos tornam pública sua voz em apoio às reformas na Igreja

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Por: Jonas | 24 Setembro 2013

Em sua recente entrevista concedida às revistas dos jesuítas, o papa Francisco disse que “pensar com a Igreja” não consiste em simplesmente receber ordens da hierarquia. “Quando o diálogo entre o povo, os bispos e o papa segue adiante e é levado a sério, é assistido pelo Espírito Santo”.

A matéria é publicada por Catholic Church Reform. A tradução é do Cepat.

Animadas por este espírito, cem organizações da Igreja, respaldadas por mais de quatro milhões de católicos do mundo todo, enviaram ao papa Francisco e seus conselheiros uma carta pedindo uma audiência com o Papa para conversar sobre o governo da Igreja.

Pedem que o Papa e os cardeais deem aos sacerdotes, aos religiosos e aos leigos maior responsabilidade na tomada de decisões na Igreja, inclusive na nomeação dos bispos. Que o diálogo e o respeito à consciência substitua o governo autoritário. E que sejam expulsos os oficiais eclesiásticos que tenham facilitado ou ignorado o escândalo dos abusos sexuais por parte de clérigos.

A carta, assinada por representantes de numerosos grupos reformistas do mundo todo, fala da atual crise na Igreja, incluindo os abusos sexuais e a corrupção fiscal no Vaticano, e os negativos efeitos do clericalismo e de um governo de apenas homens celibatários.

Entres os que assinam estão grupos como “Call to Action” dos Estados Unidos, American Catholic Council, “CORPUS” e o movimento mundial “We Are Church”. Este último representa vários milhões de católicos de quase 40 países. Bispos como Geoffrey Robinson, Bill Morris e Pat Power, que iniciaram a reclamação referente aos abusos sexuais na Austrália – com 117.000 apoios até a data – deram pleno apoio à intenção deste movimento.

O papa Francisco criticou o clericalismo, dizendo que o episcopado é um ministério de serviço e não de dominação. E em sua recente entrevista, de alcance mundial, disse que “a Igreja é o povo de Deus, pastores e povo juntos. A Igreja é a totalidade do povo de Deus”.

Contudo, o Papa ainda precisa especificar até que ponto dará voz, voto e plenos direitos de cidadania aos leigos.

A carta apoia a direção que o papa Francisco parece estar tomando, e declara que a plena participação de todos os batizados católicos na tomada de decisões na Igreja é uma reforma fundamental na Igreja, e que está firmemente baseada no Evangelho, na tradição e na visão do Concílio Vaticano II.

A carta também convida ao diálogo aberto entre os membros da Igreja e apressa o papa Francisco a reabilitar aos teólogos que foram censurados nos pontificados anteriores, e a parar a investigação contra a Conferência de Religiosas dos Estados Unidos, por ser “injusta e privada de garantias”.

“Nossa mais profunda esperança é que o papa Francisco aceite uma delegação de nossos líderes no Vaticano – disse Rene Reid, um dos organizadores que representam o movimento -. Aproximou-se dos ateus, dos gays e outros. Deseja o diálogo, Nós também”.

Nota da IHU On-Line: Se você quiser saber mais sobre a carta e assiná-la, clique aqui.