“No dia do Corpo de Cristo, mataram nosso parente Terena Osiel Gabriel”

Mais Lidos

  • “Feminicídio está sendo naturalizado”, critica vice-presidente do Instituto Maria da Penha. Entrevista com Regina Célia Barbosa

    LER MAIS
  • Chile decreta estado de calamidade pública por causa dos incêndios florestais

    LER MAIS
  • Rumo ao abismo: como Trump destruiu o direito internacional. Artigo de Patrick Wintour

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 31 Mai 2013

“No dia do Corpo de Cristo, a Polícia Federal manchou de sangue mais uma página da história dos povos indígenas, com o consentimento do governo. Faz quinhentos anos que nós sofremos e hoje, no dia do Corpo de Cristo, mataram nosso parente Terena Osiel Gabril”. O comentário é do Cacique Kaingang Valdomiro Vergueiro em artigo no portal do Cimi, 30-05-2013.

Eis o artigo.

Nós, Kaingang do Morro do Osso, Porto Alegre, nos manifestamos em apoio ao Povo Terena da terra indígena Buriti de Mato Grosso do Sul que hoje, dia 30 de maio, dia de Corpus Christi, festa do Corpo de Cristo muito celebrado pelos católicos no Brasil, foi atacado pelos policiais Federais e Militares, para cumprir uma ordem de despejo. Ficamos revoltados quando soubemos que mataram Osiel Gabriel e que outros Terena foram espancados pela polícia.
 
Nós estamos revoltados com essa ação e com a política do governo federal que não quer demarcar terra para os índios e autoriza a polícia a nos massacrar. Estamos cansados de tanta violência. Estamos cansados de esperar que o governo cumpra com suas responsabilidades.
 
O governo federal não pode pensar só nos fazendeiros, nos empresários, nos donos de mineradoras e empreiteiras. O governo deve estar a serviço de todos. Por isso, nós exigimos a demarcação de todas as terras indígenas para podermos viver em paz, sem tanta dor, sem tantas mortes, sem tanto sofrimento.
 
Exigimos que a presidente Dilma se manifeste e mande o seu Ministro da Justiça acabar com a violência contra nós, indígenas. O que queremos é que o governo cumpra com o que diz a Constituição e demarque as nossas terras, sem que para isso seja preciso derramar o nosso sangue. Cada gota de sangue indígena que cai, é de responsabilidade do governo, que não cumpre a sua função.
 
No dia do Corpo de Cristo, a Polícia Federal manchou de sangue mais uma página da história dos povos indígenas, com o consentimento do governo. Faz quinhentos anos que nós sofremos e hoje, no dia do Corpo de Cristo, mataram nosso parente Terena Osiel Gabriel.
 
Valdomiro Vergueiro,
Cacique Kaingang do Morro do Osso