‘Importante saber para uma escolha sem obscuridade’, diz cardeal

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26 Fevereiro 2013

"Cardeal Jean-Louis Tauran, os três purpurados que investigaram o caso Vatileaks poderão informar o conteúdo da investigação aos cardeais nas próximas congregações gerais e no Conclave. O Papa agiu corretamente ao dar o seu placet?"

"O Santo Padre agiu muito corretamente. Somos-lhe grato por este importante gesto de tão alta sensibilidade. Não seria possível entrar numa eleição papal com zonas obscuras e perguntas que precisam ser respondidas".

A entrevista é de Orazio La Rocca e publicada pelo jornal La Repubblica, 26-02-2013. A tradução é do Instituto Humanitas Unisinos -IHU.

Francês de Bourdeaux, cumprirá 70 anos de vida no próximo dia 5 de abril, Jean-Louis Tauran é um dos cardeais mais influentes do Colégio Cardinalício: eleitor no Conclave, é Protodiácono que apresentará, portanto, o novo pontífice com o anúncio “Habemus Papam!”. Ele também é presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso e participa da Comissão cardinalícia de vigilância do IOR.

Tauran não esconde a sua satisfação: “É uma decisão importante, porque finalmente todos os cardeais serão informados sobre o que realmente aconteceu no caso Vatileaks”.

Eis a continuação da entrevista.

Por que é tão importante?

Permitir que todos os cardeais, eleitores e não, tomem conhecimento da verdade por meio dos três purpurados é um ato de bom senso. Mas é mais importante ainda que todos os eleitores do próximo Papa saibam do que aconteceu e das causas dos escândalos tão clamorosos.

A eleição papal estará, desta maneira, ligada também à clareza sobre o caso Vatileaks que poderá ser feita nas Congregações gerais e no segredo do Conclave na Capela Sistina?


Um cardeal eleitor não poderá decidir escolher este ou aquele nome se não conhece o conteúdo do dossier sobre Vatileaks, ao menos os traços essenciais do relatório, que posteriormente, como decidiu Bento XVI no Motu próprio de ontem, será integralmente colocado à disposição do novo Papa.

Os cardeais poderão pedir que sejam conhecidos também os nomes dos altos prelados eclesiásticos citados no dossier?

O importante é que tenham conhecimento sobre tudo o que emergiu na investigação. Quanto a nomes, depende das circunstâncias e dos contextos nos quais serão colocados em evidência. Fundamentalmente se trata de que os cardeais – e, repito, especialmente os eleitores – conheçam claramente o que aconteceu. Se será necessário, não vejo porque não se devam pedir também os nomes. Para eleger um novo Papa, o espírito do cardeal eleitor deve ser livre, sem incertezas e lados obscuros.

O cardeal escocês Patrick O’Brien renunciou ao Conclave por causa da acusação de quatro padres por “comportamentos impróprios”. Ele fez bem?

Com a renúncia de O’Brien os cardeais eleitores caíram para 115. Não sei se fez bem porque não conheço as circunstâncias do caso. Mas certamente agiu segundo a sua consciência.