Por: Jonas | 14 Dezembro 2012
Um dia depois da cirurgia do câncer de Hugo Chávez, em Havana, surgem declarações em relação ao futuro político da Venezuela. O vice-presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro (foto), apontado pelo presidente Chávez como seu eventual sucessor, caso a enfermidade não o permita continuar no cargo, afirmou que o dirigente enfrenta um processo pós-operatório “complexo e árduo”, após a cirurgia.
A reportagem é publicada no jornal El País, 13-12-2012. A tradução é do Cepat. 
Em seu segundo pronunciamento oficial, o Governo da Venezuela, por meio do ministro de Comunicação Ernesto Villegas, afirmou que a situação do presidente se encontra estável. “Confiamos na fortaleza física e espiritual do comandante Hugo Chávez e no tratamento médico”, acrescentou Villegas, em cadeia nacional de rádio e televisão.
Um dos aliados políticos de Chávez, o presidente do Equador Rafael Correa, disse que, mesmo se o dirigente desaparecer da cena política, os “processos revolucionários” devem continuar em países como Venezuela, Bolívia, Argentina e Equador. Correa afirmou que Chávez é “muito necessário”, mas não “imprescindível”. Na segunda-feira, o presidente equatoriano visitou o presidente venezuelano, em Havana.
De momento, não se sabe nada com precisão a respeito do prognóstico da saúde de Chávez. Nesta quarta-feira, Maduro a definiu como “delicada”, embora tenha dado poucos detalhes, dizendo apenas que a intervenção durou seis horas e que foi “exitosa”. O vice-presidente compareceu na televisão acompanhado pelo ministro do Petróleo, Rafael Ramírez, e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que estiveram em Cuba durante a cirurgia.
Diosdado Cabello se encarregou de desmentir rumores que afirmam que Chávez morreu. Cabello afirmou que são mentiras surgidas na Colômbia e qualificou as supostas invenções como parte de uma “guerra de contrainformação”. O presidente da Assembleia Nacional sublinhou que Hugo Chávez está “travando uma batalha pela vida” e que é “um vencedor, um invencível”.
De qualquer maneira, a saúde do presidente é uma incógnita e sua equipe de Governo se dirige aos cidadãos venezuelanos como se estivesse perto de um momento de mudança. Nicolás Maduro disse, nesta quarta-feira, que na Venezuela se aproximam “cenários complexos e difíceis” que, em sua opinião, “apenas podem ser enfrentados com a unidade do povo”.
Maduro disse que Chávez foi “muito claro ao nos falar sobre a necessidade de que o povo o acompanhe no processo de tratamento”, e insistiu que o país está, de fato, “mais unido do que nunca” em sua “lealdade” com o chefe de Estado. Não obstante, convocou todos os venezuelanos a se manter “em oração de amor”, para enviar ao presidente “toda a força e energia” possível. “Mais cedo do que parece, teremos nosso comandante aqui”, declarou Maduro, do Palácio de Miraflores. Em sentido muito parecido, o ministro de Comunicação, Ernesto Villegas, disse que a Venezuela deve se preparar, da mesma forma como se prepara um filho que possui “um pai enfermo”. Por fim, o ministro demonstrou sua esperança de que Chávez supere o pós-operatório e retorne a Caracas. “Acreditemos que, com o amor de milhões, o Comandante se recupere rápido e venha assumir o comando antes do dia 10 de janeiro”.