17 Novembro 2012
Caros amigos, para aqueles de vocês que se encontrarem em Milão neste sábado, 17 de novembro, no âmbito da BookCity, às 11 horas, na Sala Sforzesca do Castelo Sforzesco, será discutida em um diálogo com Vito Mancuso a minha biografia Martini, il profeta del dialogo (Ed. Piemme, 2012). Estão todos convidados. Do último capítulo do livro, retiro estas citações como ponto de partida.
A nota é de Andrea Tornielli, publicada no blog Sacri Palazzi, 15-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
"A nova evangelização", escrevia Martini, "que hoje se revela urgente e inadiável, nos fala sobre a paciência de se curvar sobre aquele ferido que é a nossa sociedade ocidental, com todas as suas misérias, fadigas e encargos, para encontrar o que fazer por ela com amor e humildade: porque aquele ferido somos um pouco todos nós".
O que significa isso? É o próprio cardeal que nos explica com uma imagem evangélica, em um trecho do livro dedicado à nova evangelização na Europa:
"'Jesus, no início do seu ministério (...) deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, junto ao mar, no território de Zabulon e Neftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías’ (Mt 4, 13). O evangelista interpreta, assim, aquilo que exteriormente nada mais é do que uma simples mudança de habitação, tal como um fato rico de sentido. O que era Nazaré? Uma insignificante aldeia da Galileia... um lugar de tranquilidade interiorana, de simples hábitos agrícolas, de pequenos ciúmes e de horizontes estreitos. Em comparação, Cafarnaum aparece como a cidade aberta e complexa, lugar do trabalho e do comércio, da troca e do tráfico... Ir a Cafarnaum, portanto, para Jesus, significa sair do habitual, do previsto, lidar com a troca, os encontros, o que hoje nós chamamos de abordar a 'modernidade', a 'complexidade', o 'pluralismo' (...) Jesus não enfrenta essa mudança de forma quase relutante".