Uma fundação para Martini, ''o cardeal do diálogo''

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03 Novembro 2012

Turim dedicará ao cardeal Carlo Maria Martini uma fundação para promover o estudo dos jovens religiosos e levar adiante a sua mensagem. É a intenção que a família do ex-arcebispo de Milão compartilhou com os padres turinenses da Companhia de Jesus. O projeto foi anunciado no dia 30 de outubro, às margens da cerimônia de comemoração em honra de Martini, na Sala Rossa, a dois meses da sua morte.

A reportagem é de Letizia Tortello, publicada no sítio Vatican Insider, 31-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Ele foi um pesquisador incansável do diálogo com todos, crentes de todas as religiões e não crentes", explicou o arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia. Um corajoso testemunho e intérprete das Sagradas Escrituras já a partir dos anos da formação jesuíta no Instituto Social. "Ele amava a Bíblia e a explicava com o dom da simplicidade", continuou Nosiglia.

É por isso que a sua irmã, Maris Martini, e a sobrinha, Giulia Facchini, decidiram não desperdiçar a sua mensagem espiritual, social e civil. "Queremos nos dedicar à promoção de cursos de estudos bíblicos para os jovens sacerdotes jesuítas, talvez em Jerusalém", dizem.

O projeto ainda está embrionário e deve passar pela aprovação da Santa Sé. O ponto fixo, no entanto, é que Turim será o berço da fundação, de âmbito nacional, a cidade em que o ex-arcebispo nasceu e se tornou padre em 1952.

"Com olhar profético, Martini nos ensinou a sempre ser peregrinos a caminho", ressaltou o padre Vitangelo Denora, diretor do Instituto Social. Em uma aula magistral apaixonada, o padre Bartolomeo Sorge, teólogo milanês, lembrou o seu ímpeto para uma abertura ao mundo, no rastro do Concílio Vaticano II. "Livre no pensamento, olhava para os problemas humanos com os olhos de Deus".

Prova disso é a Cátedra dos Não Crentes, como lembrou o presidente do Conselho Municipal de Turim, Ferraris, e o impulso incessante para uma renovação da Igreja. A lembrança oficial concluiu com uma homenagem ao ex-cardeal por parte do prefeito, Fassino, que chamou Martini de "um ponto de referência crítico sobre temas cruciais como bioética, sexualidade, acompanhamento na doença e na morte. Retomando a definição do padre Bianchi, ele foi um Padre da Igreja dos tempos modernos".