Reitores apoiam decisão da PUC do Peru

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14 Agosto 2012

O presidente da Assembleia Nacional de Reitores (ANR), Orlando Velásquez Benites, ratificou a defesa em favor da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP). Alegou que o Vaticano, por ser um Estado, não pode ter ingerência em assuntos de outro Estado.

A reportagem é de Rolando Pérez e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 13-08-2012.

O Vaticano proibiu que a instituição de ensino peruana use a denominação “Pontifícia” e “Católica” por não se adequar às normas eclesiásticas da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae.

A Assembleia Universitária da PUCP qualificou de deplorável o decreto da Secretaria de Estado da Santa Sé, pois ele contém “diversos aspectos que se opõem aos direitos reconhecidos na Constituição peruana, como o direito à identidade, ao pretender proibir o uso dos termos pontifícia e católica”.

A reitoria da PUCP enfatizou que fará prevalecer o compromisso que tem com seus estudantes, professores e trabalhadores, graduados e egressos "de fazer respeitar sua denominação oficial, a qual goza de reconhecido prestígio nacional e internacional".

"Esses valores nos reafirmam como uma universidade autônoma, democrática, criativa, crítica, pluralista, com qualidade no ensino e na investigação, comprometida com a sociedade peruana, e identificada com os princípios cristãos que fundam os direitos do ser humano", assinala a nota.

O reitor da PUCP, Marcial Rubio, sustentou que a universidade não se rege pelo direito canônico, mas sim que respeita a legislação peruana.

“Não é a melhor mostra de tolerância e respeito às liberdades o decreto que proíbe uma universidade católica se chamar como tal”, disse em entrevista. Ele adiantou que, pela gravidade do decreto do Vaticano, a PUCP será obrigada a revisar a relação estatutária que mantém com a Igreja.

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Peruana (CEP) insistiu ontem na exortação ao reitor da PUCP e à assembléia da comunidade acadêmica para que acatem a decisão do papa Bento XVI, pedindo que adaptem os estatutos à constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae.

Desde 2007, a PUCP mantém uma controvérsia legal com o arcebispo de Lima, na qual procura proteger-se da ameaça de ingerência externa da hierarquia local da igreja.