Descoberta de 51º corpo em trem enfurece Argentina

Mais Lidos

  • O Papa Leão XIV faz um pedido de desculpas histórico pelo papel da Santa Sé na legitimação da escravidão

    LER MAIS
  • Pesquisadores comentam a primeira encíclica de Leão XIV

    Magnifica Humanitas. Limites, possibilidades, perspectivas. Algumas análises

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

25 Fevereiro 2012

A descoberta ontem do corpo do jovem Lucas Menghini, de 20 anos, esmagado entre o terceiro e o quarto vagão do trem da linha Sarmiento que descarrilou na quarta-feira, desatou a fúria dos passageiros da estação de Once, no bairro de Balvanera, cenário da tragédia na qual morreram 51 pessoas e 703 ficaram feridas.

A reportagem é de Ariel Palacios e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 25-02-2012.

A família de Lucas procurou o jovem incansavelmente desde a quarta-feira, sem sucesso. O localizador do celular do rapaz indicava que ele estava, teoricamente, na estação. No entanto, os bombeiros e policiais que fizeram o resgate não perceberam nos dois primeiros dias o cadáver do jovem entre os dois vagões.

Aos gritos de "abaixo a impunidade" e "que todos vão embora", a multidão de passageiros, irritada com duas décadas de funcionamento deficiente das ferrovias e do sucateamento dos trens, exigiu a demissão das autoridades envolvidas no caso. Além disso, pediram a retirada da concessão ferroviária TBA, propriedade da família Cirigliano, amigos de integrantes do governo da presidente Cristina Kirchner.

Após três horas de protestos começaram os primeiros choques. Os passageiros arremessaram pedras e latas de refrigerantes sobre os policiais. Integrantes das forças de segurança espancaram os passageiros com seus cassetetes, enquanto que - no meio da batalha campal - as pessoas corriam gritando pelos salões da centenária estação. Na sequência, os policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo sobre os passageiros.

O corpo de Lucas somente foi encontrado 57 horas depois do acidente graças à insistência de seu pai, que em um vídeo das câmara de segurança da estação onde ele embarcou viu que ele entrara no quarto vagão.

O bairro de Balvanera também foi agitado ontem pelos protestos dos parentes das vítimas do incêndio que arrasou a boate Cromañón em dezembro de 2004. Os parentes, que haviam erguido um santuário improvisado em memória dos 194 mortos em plena rua Bartolomé Mitre, rechaçaram o plano da prefeitura de reabrir a via, fechada há sete anos pelas próprias famílias das vítimas. O santuário dos mortos da Cromañón está localizado a dois quarteirões da estação Once.

Julgamento

Líderes da oposição argentina anunciaram ontem que na próxima semana pedirão um julgamento político do ministro de Planejamento e Obras Públicas, Julio de Vido, braço direito da presidente Cristina Kirchner na área econômica. A Coalizão Cívica alega que De Vido tem "responsabilidades políticas na catástrofe" do descarrilamento quarta-feira de um trem na estação de Once, em Buenos Aires.

Para conseguir o julgamento político do ministro, a oposição teria de contar com maioria nas comissões parlamentares, algo que não tem e dificilmente alcançará.