Pacote foi alvo de embate entre Dilma e Mantega

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

02 Agosto 2011

A presidente Dilma Rousseff terminou a reunião ontem com empresários dando a senha para conter eventuais insatisfações com a política industrial: "Este é só o início da conversa".

A reportagem é de Natuza Nery e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 03-08-2011.

De fato, o setor produtivo esperava levar menos do que obteve no programa Brasil Maior. Após meses de preparação, a espinha dorsal do projeto foi redefinida nas últimas 72 horas.

Enquanto os convidados chegavam ontem para o lançamento do pacote, alguns pontos ainda sofriam ajustes. No início da solenidade, um técnico comentou que muita coisa estava sendo feita na hora.

Diante de tantas contas difíceis de fechar e impactos complexos para avaliar, o ministro Guido Mantega (Fazenda) tentou adiar por 15 dias o lançamento do pacote para discutir mais com os setores afetados. A sugestão fez Dilma quase perder a paciência.

Depois de dar um sonoro "não", ainda decidiu colocar mais a mão no bolso. Autorizou o resgate de uma antiga proposta parada no Ministério do Desenvolvimento: a devolução, em dinheiro, de 3% da receita do exportador perdida com pagamento de tributos.

EM SIGILO

Na avaliação de dois ministros, o governo anunciou o Brasil Maior como quem conserta um carro em movimento. Os sinais ficaram aparentes. Após o anúncio, o Executivo foi corrigindo informações oficiais dadas ao longo do dia.

Nas últimas semanas, Dilma ordenou sigilo absoluto do plano. Irritou-se com vazamentos de algumas medidas na imprensa.

Até mesmo fichas com valores e detalhes das propostas foram recolhidos depois de reuniões para evitar que a informação circulasse fora da Esplanada.

Todo esse esforço, porém, gerou efeito colateral. As centrais sindicais, por exemplo, só foram chamadas para discutir a política na véspera do anúncio.

Ainda assim, disseram sair do encontro como entraram: no escuro. Boicotaram o evento.

No Congresso, aliados não foram ouvidos. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) queixou-se publicamente.
Mas emplacou alterações de última hora.

Apesar das turbulências, o Planalto avaliou o anúncio como positivo. Até mesmo a tática do "efeito surpresa" exigido pela presidente foi celebrada como ação bem-sucedida.