Carta dos Carmelitas Descalços à Assembleia Diocesana de Sucumbíos

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14 Mai 2011

Publicamos aqui a Carta dos Carmelitas Descalços à Assembleia Diocesana de Sucumbíos, no Equador, aos membros das comunidades cristãs e católicos em geral, e à sociedade da província de Sucumbíos.

A carta foi publicada no blog da Igreja de San Miguel de Sucumbíos - ISAMIS, 12-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como já é de conhecimento público, nós, os seis Carmelitas Descalços que vivemos atualmente na província de Sucumbíos e servimos esta Igreja há 40 anos (os padres José Septien e Juan Berdonces), há 39 anos (padres Juan Cantero e Pablo Gallego), há 30 anos (padre Jesús M. P. Arroyo) e há 16 anos (padre Pedro Luis Rodríguez), fomos solicitados por nosso Superior Geral a deixar a nossa Igreja de Sucumbíos.

No último dia 2 de maio, o Santo Padre Bento XVI chamava a audiência o nosso superior maior em Roma para solicitar-lhe a saída dos seis Carmelitas que atualmente se encontram em Sucumbíos. Ele lhe solicitou, por sua vez, que possa substituí-los por outros, pois não é seu desejo que a Ordem dos Padres Carmelitas abandone essa Igreja.

Com profunda dor, cada um de nós recebeu a notícia do nosso Padre Provincial, Jorge Mario Naranjo, que foi encarregado de levar a cabo essa ordem. Com ele, os Carmelitas do Equador estiveram reunidos durante os dias 9 e 11 do mês corrente, vendo como dar o passo, situando-nos entre a aparente contradição de ter que cumprir uma Ordem do nosso Superior Geral e não abandonar a Igreja e a província que levamos em nossas entranhas.

Chegamos às seguintes resoluções, inclusive depois de algumas consultas, entre elas com o Delegado Pontifício, Dom Ángel P. Sánchez:

- Por amor à Igreja, assim como à Igreja-comunidade e à província de Sucumbíos que vimos nascer e crescer, nós, os seis Carmelitas que atualmente nos encontramos em Sucumbíos, deixaremos os nossos lugares de vida e de trabalho porque entendemos que essa Igreja legítima amadureceu para andar seu caminho com seu clero, agentes de pastoral, comunidades e ministérios.

- Isso não significa que a Ordem abandona a província de Sucumbíos ou a sua Igreja. Inicia-se a busca dos irmãos Carmelitas que nos substituam para que se dê continuidade aos projetos que estão em curso e continuar apoiando esse modelo de Igreja sustentado no Evangelho de Jesus e no Magistério da Igreja Universal e Latino-Americana.

- Como Dom Ángel P. Sánchez nos solicitou, sairemos da província gradualmente, com a chegada dos novos irmãos. Buscamos o tempo necessário para transferir a documentação e informação necessárias, assim como para que assumam seu trabalho devidamente. Não seria justo com essa Igreja nem com essa província que se repita o atropelo cometido com a saída do nosso irmão e pastor Dom Gonzalo López. Esse atropelo foi claramente prejudicial para a nossa Igreja e província.

- Continuaremos apoiando a Igreja e a província de Sucumbíos de onde quer que nos encontremos, porque, para nos impedir disso, deveriam nos arrancar o coração.

É o momento de obedecer como Carmelitas, por mais doloroso que seja para todos nós. Faremos isso profeticamente. O que façamos neste momento da história está ao serviço da província e da Igreja de Sucumbíos e do Reino de Deus. Sabemos também que, ao assumir esse mandato, estamos trabalhando pelo amor da Igreja e do Evangelho de Jesus.

Encomendamos-lhes à Virgem sob o título de Nossa Senhora do Cisne, padroeira da nossa Igreja de Sucumbíos. Com a bênção do Ressuscitado, assinamos: a Assembleia dos Carmelitas do Equador.