Padres australianos manifestam apoio a bispo deposto

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03 Mai 2011

Uma organização nacional de padres da Austrália divulgou uma declaração nesta terça-feira, 3 de maio, em apoio ao bispo William Morris, da diocese de Toowoomba, ao mesmo tempo em que criticam a influência daqueles que mantêm uma "ideologia restauracionista" e aparentemente pressionaram pela remoção do bispo.

A reportagem é de Tom Roberts, publicada no sítio National Catholic Reporter, 03-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Segundo uma carta que Morris escreveu e que foi lida em todas as missas da diocese no dia 1º de maio, o Papa Bento XVI forçou-o a se aposentar após receber queixas de um grupo de dissidentes de sua diocese, que tiveram problemas com uma carta pastoral de 2006 que abordava a severa falta de padres que a igreja australiana enfrentada.

Na carta pastoral, Morris tinha listado algumas opções, incluindo a ordenação de mulheres, que ele indicou que estava sendo discutida em toda a Igreja. Ele disse na carta pastoral que a Igreja pode ter que se abrir a tais opções, como a ordenação de homens casados e de mulheres, se o "primado da Eucaristia" deve ser mantido como um elemento distintivo do culto católico. Inúmeros relatos sobre a carta pastoral notam que Morris condicionou as alternativas com a expressão "se Roma permitir".

Morris emitiu a carta pastoral no Advento de 2006. Em março seguinte, o Vaticano avisou Morris que uma visitação apostólica ocorreria. Em abril de 2007, o arcebispo de Denver, Charles Chaput, apareceu para realizar a visitação e, de acordo com relatos, ele se reuniu com Morris, com seu conselho de padres, funcionários diocesanos e alguns fiéis. Ele avisou Morris por fax, em maio, que havia enviado o seu relatório à Congregação para os Bispos do Vaticano.

"Eu nunca vi o relatório preparado pelo visitador apostólico", escreveu Morris em sua mais recente carta à sua diocese. "Sem o devido processo, foi impossível resolver essas questões, negando-me a justiça natural, sem qualquer possibilidade de defesa e amparo apropriados em meu nome. O Papa Bento XVI confirmou isso para mim, declarando: "O direito canônico não prevê a possibilidade de um processo por parte dos bispos, aos quais o sucessor de Pedro nomeia e pode remover do ofício", contou o bispo.

"Estamos horrorizados com a falta de transparência e de devido processo legal que levou a essa decisão pelas autoridades da Igreja", disse o comunicado divulgado pelo Conselho Nacional dos Presbíteros da Austrália.

"Estamos envergonhados com o desprezível tratamento dispensado a um excelente pastor desta diocese, que fielmente tem ministrado na Igreja de Queensland e em toda a Austrália desde a sua ordenação sacerdotal em 1969", disse a associação, que se descreve como uma organização composta por bispos, presbíteros e diáconos.

O grupo disse estar "preocupado com um elemento dentro da Igreja cuja ideologia restauracionista quer reprimir a liberdade de expressão" dentro da Igreja e "que nega a autoridade magisterial legítima do bispo local dentro da Igreja".

O NCR enviou uma lista de perguntas para Chaput por e-mail. Ele respondeu que "qualquer visitação apostólica é regida pela estrita confidencialidade. Isso é para o benefício de todas as partes envolvidas".