Para crítico, rapidez de processo estabelece precedente perigoso

Mais Lidos

  • Edgar Morin e o seu centenário. Odisseia, complexidade e incerteza

    LER MAIS
  • Edgar Morin (1921-2026): “A experiência me mostrou que o improvável pode acontecer”

    LER MAIS
  • Quando o clericalismo se torna narcisismo, o altar transforma-se num palco. Artigo de Phyllis Zagano

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

28 Abril 2011

O padre jesuíta americano Thomas J. Reese foi uma das primeiras vozes no coro dos contrários após a eleição de Bento XVI e agora é voz dissonante na aprovação generalizada ao processo que levará João Paulo II eventualmente à condição de santo.

Como editor da prestigiosa revista "America" por sete anos, ele era crítico das políticas conservadoras do então cardeal Joseph Ratzinger, responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Ele trazia na revista debates sobre assuntos sensíveis ao Vaticano, como a supremacia da Igreja Católica sobre outras denominações cristãs, casamento gay e pesquisa com células-tronco.

Logo que Ratzinger foi eleito papa (Bento XVI), em maio de 2005, Reese foi forçado a deixar seu posto, assunto que evita comentar. Hoje trabalhando no Centro Teológico Woodstock (EUA), o padre vê o processo rápido de beatificação como arriscado, por politizar o procedimento e dobrar-se à pressão dos fiéis.

A entrevista é de Igor Gielow e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 29-04-2011.

Eis a entrevista.

O sr. vem dizendo que há o risco de estabelecer um precedente perigoso com esse processo rápido rumo à santidade, de criar injustiças. Mas o sr. acredita que há espaço para tal questionamento, dado o controle do Vaticano sobre o processo?

Nem o Vaticano nem os fiéis estão preocupados com procedimentos. Quando eles querem algo, eles querem agora. Só advogados canônicos e especialistas se preocupam.

O sr. vê a velocidade do processo como um fator político? Bento XVI está se aproveitando da popularidade do antecessor ou a beatificação é um processo lógico, dada que os fiéis querem Wojtyla santo?

Ambas as coisas são verdade. Os fiéis admiravam João Paulo II, então o querem beatificado. As autoridades do Vaticano querem a beatificação porque esperam que irá fortalecer o papado.

O processo reafirma a política de João Paulo 2º de fortalecer tradições como santos e milagres para evitar pressões modernas sobre a igreja?

O lado positivo da enxurrada de santos canonizados por João Paulo é que muitos são de países de fora da Europa, que nunca tiveram santos antes. O lado negativo é que a maioria deles só é conhecida pelos apoiadores.
Bento XVI, contudo, cortou o número de beatificações e canonizações e tirou um pouco de sua importância. Por exemplo, ele normalmente não preside pessoalmente cerimônias de beatificação. Agora é uma exceção.