UE se recusa a ajudar Itália com refugiados norte-africanos

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Abril 2011

Por enquanto a Itália terá de agir sozinha, pois a União Europeia recusou-lhe apoio com os tunisianos em Lampedusa. Primeiro avião da ilha para a Tunísia já decolou. Deportação resultou em protestos e incêndio.

A reportagem é do sítio Deutsche Welle, 11-04-2011.

Os países-membros da União Europeia (UE) se recusaram nesta segunda-feira (11/04) a ajudar a Itália com os milhares de refugiados do norte da África, na maioria tunisianos.

Eles entraram na Itália pela Ilha de Lampedusa, localizada no Mar Mediterrâneo a apenas 130 km da costa da Tunísia. As fugas do norte africano começaram depois do início dos conflitos naquela região, em janeiro. Nesta segunda-feira, os 27 ministros do Interior do bloco se reuniram em Luxemburgo para discutir o destino dos mais de 22 mil refugiados na Itália, mas não chegaram a um consenso sobre um apoio em comum, explicou a comissária de Interior da UE, Cecília Malmström.

"Antes só..."

O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, mostrou-se desapontado, questionando se ainda fazia sentido ser membro da UE: "Antes só do que mal acompanhado", comentou. "Pedimos solidariedade e nos disseram para agirmos por conta própria."

Seu homólogo húngaro, Sándor Pintér, destacou, porém, que a Itália também consentiu com o resultado da reunião desta segunda-feira. Ficou combinado que haverá outro encontro extraordinário dos ministros do Interior da UE em 12 de maio, em Bruxelas, para voltar a tratar do tema.

Segundo os ministros da Alemanha, Hans-Peter Friedrich e da Áustria, Maria Fekter, a Itália não está sobrecarregada com o número de refugiados. Os Estados membros do bloco pretendem negociar com a Tunísia para que ela receba de volta mais do que 60 cidadãos tunisianos por dia.

Além disso, os europeus querem conversar sobre a implantação de uma unidade da Frontex (agência europeia de controle de fronteiras) na costa da Tunísia, com a intenção de evitar a travessia de refugiados à Europa.

Visto de Schengen

Em reação às recusas por parte dos membros da UE, o governo italiano anunciou que pretende dar autorizações de permanência temporária aos imigrantes tunisianos, dando-lhes a possibilidade de se deslocarem livremente por todos os países do espaço Schengen.

Um cidadão com este tipo de visto pode circular da Itália à Noruega e de Portugal até a Polônia. Atualmente 26 países são signatários do Tratado de Schengen.

O ministro Friedrich argumentou que a atitude da Itália vai contra o "sentido do Schengen", já que a intenção de conceder o visto aos refugiados "com certeza não é para que fiquem na Itália, mas sim para que possam deixá-la". Apesar disso assegurou que no momento o sistema de livre circulação não está em risco.

Vantagem do idioma

A Itália pretende iniciar a distribuição dos vistos na próxima quarta-feira, dando aos refugiados a permissão de residir na UE por até seis meses. A França provavelmente seria um dos países mais atingidos com a distribuição do visto de Schengen, já que a semelhança do idioma facilitaria o afluxo dos tunisianos.

Na reunião desta segunda-feira, o ministro francês do Interior, Claude Guéant, deu a entender que cerca de 2.800 tunisianos foram presos no mês passado em seu país. Segundo a Itália, a França teria reforçado seu controle de imigração nas fronteiras. Hans-Peter Friedrich informou que, até agora, os funcionários que controlam as fronteiras para a Alemanha não registraram tentativas de ingresso em massa de tunisianos no país. O governo alemão anunciou que vai reagir, caso a situação venha a mudar.

Repatriações começam

Por outro lado, a Itália já começou a enviar tunisianos de volta para casa. Nesta segunda-feira, o primeiro avião para a Tunísia decolou da Ilha de Lampedusa. Estão planejados dois voos diários. Nesta primeira viagem estavam a bordo 30 imigrantes africanos e muitos policiais.

Na Ilha de Lampedusa, a casa que pode abrigar 800 pessoas esteve novamente superlotada nesta segunda-feira, com mil refugiados. Desde domingo à noite, 700 outros refugiados vindos da Somália e Eritreia teriam chegado à ilha, informaram agências de notícias.

Em protesto contra a deportação, alguns imigrantes subiram nos telhados e atearam fogo a parte dos abrigos, informou a mídia italiana. Além disso, alguns teriam sido levados de navio da ilha para o continente italiano.