Padres da Caminhada & Padres contra o Fascismo emitem nota de solidariedade à Via Campesina, MST, Dom Orlando Brandes, CNBB e Papa Francisco

Deputado Estadual Frederico D’Ávila - PSL/SP (Foto: Divulgação | Alesp)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Outubro 2021

 

"O discurso de ódio de Frederico D’Ávila e de todos os que se posicionam com ele - incluindo grupos que, infelizmente, se dizem católicos - fere todo nosso povo. Sua aporofobia não é só vergonhosa; é criminosa: jamais um representante eleito pelo povo pode usar a tribuna de uma casa legislativa para ameaçar de morte grupos comprometidos com os menos favorecidos. É um crime contra a nação", afirmam os Padres da Caminhada & Padres Contra o Fascismo.

 

Eis a nota.

 

Se falei mal, mostra em que; se falei bem, por que me bates?” (Jo 18,23)

 

Nota de solidariedade à Via Campesina e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ameaçados de morte e a Dom Orlando Brandes, à CNBB e ao Papa Francisco, covardemente ofendidos.

Assim como boa parte da população brasileira, independente de sua fé, estamos estarrecidos diante das palavras violentas e ofensivas do Deputado Estadual Frederico D’Ávila - PSL/SP proferidas no último dia 14 de outubro contra a Via Campesina e o MST, contra Dom Orlando Brandes, arcebispo metropolitano de Aparecida, a CNBB e o Papa Francisco.

Suas palavras não feriram somente aquelas e aqueles que professam a fé católica, nem somente as cidadãs e cidadãos paulistas - a quem o Sr. Deputado deveria representar melhor. Suas palavras, pela agressividade, ferem todas brasileiras e todos os brasileiros.

Ele ameaçou com “cacete e bala” a Via Campesina e o MST, movimentos populares que lutam pelo direito à terra e a defesa da produção de alimentos para a população. Ele ofendeu falsa e injustamente Dom Orlando Brandes, arcebispo metropolitano de Aparecida, a CNBB e o Papa Francisco porque erguem sua voz a favor dos pobres. Trata-se de um ataque de grandes proporções e, por isso, expressamos veementemente nosso repúdio às suas palavras de ódio e de descaso.

O Sr. Deputado representa o que há de pior na política brasileira atual - no lugar de buscar o consenso para a proteção e o progresso do povo, sobretudo depois da tragédia da pandemia, ele defende interesses escusos de grupos econômicos de seu interesse mediante o ataque àquelas e àqueles que se posicionam em divergência. Política se faz com diálogo e respeito - o Sr. Deputado Estadual Frederico D’Ávila é um facínora como o Sr. Presidente da República, a quem ele constantemente faz apologia.

O armamento da população sustentado por ele - e também pelo Sr. Jair Messias Bolsonaro - é uma afronta ao povo brasileiro, especialmente as e os mais vulneráveis. As armas só servirão para uma coisa: continuar o genocídio de pobres, dos povos originários, de afrodescendentes, de mulheres, de LGTBQIA+’s, entre outros. A frase profética de Dom Orlando Brandes, dita apenas dois dias da infeliz fala do Sr. Deputado, expressa muito bem isso: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada (…)”.

O discurso de ódio de Frederico D’Ávila e de todos os que se posicionam com ele - incluindo grupos que, infelizmente, se dizem católicos - fere todo nosso povo. Sua aporofobia não é só vergonhosa; é criminosa: jamais um representante eleito pelo povo pode usar a tribuna de uma casa legislativa para ameaçar de morte grupos comprometidos com os menos favorecidos. É um crime contra a nação!

Contudo, não podemos nos esquecer de que ele também infringiu o artigo 05, VI da Constituição Federal de 1988 que assegura a liberdade religiosa à população brasileira. Portanto, deve ser responsabilizado por tal. Em nossa nota de solidariedade, a esses movimentos sociais, a Dom Orlando Brandes, à CNBB e ao Papa Francisco, vilmente atacados por Frederico D’Ávila, também pedimos ao Presidente da ALESP, o Sr. Deputado Estadual Carlão Pignatari - PSDB/SP, que tome as devidas providências para que ele seja exemplarmente punido.

Concluímos este texto citando a mesma passagem bíblica usada por Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo diocesano de Mogi das Cruzes e presidente do Regional Sul 1 da CNBB, ao se referir ao vil ataque: “se falei mal, mostra em que; se falei bem, por que me bates?” (Jo 18,23). Em suas justas reivindicações por terra a Via Campesina e o MST falam bem exigindo o direito humano fundamental à terra. Dom Orlando falou bem na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida; a CNBB tem falado bem sempre insistindo no respeito à democracia; o Papa Francisco, desde sua eleição em 2013, fala muito bem ao chamar a atenção de todas e todos para os pobres.

Por que, então, Sr. Deputado, bater neles?

Padres da Caminhada & Padres Contra o Fascismo [1]

 

Nota

 

[1] Padres da Caminhada & Padres contra o Fascismo – São coletivos de padres de todo o Brasil que se articulam informalmente, constituídos por mais de quatrocentos (400) padres e alguns bispos.

 

 

Leia mais