Bannon promove o fascismo econômico, afirma jornal chinês

Steve Bannon. Foto: Nordiske Mediedager/Flickr CC

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26 Mai 2019

“A política chinesa de Bannon é uma espécie de fascismo econômico. Seu objetivo real de forçar Pequim a realizar reformas fundamentais é a subjugação econômica da China.”

Publicamos aqui o editorial do jornal chinês Global Times, a principal publicação em língua inglesa da China, 23-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, disse ao jornal South China Morning Post, no sábado passado, que a ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que bane a Huawei do mercado norte-americano e corta componentes vitais, é “dez vezes mais importante do que abandonar o acordo comercial”.

Essa é a defesa mais histérica desse líder de opinião da ultradireita. Bannon é viciado na retórica da guerra geral contra a China. Com as relações China-EUA em queda livre, essa figura radical se faz ouvir falando alto.

Na China, até mesmo os líderes de opinião mais radicais não exigiriam que a Apple ou o McDonalds saíssem da China. Mas as observações extremas de Bannon podem exercer algum impacto sobre a sociedade norte-americana, e ele está bastante orgulhoso de ser agressivo, o que mostra que os fundamentos racionais do país estão se erodindo. O extremismo está em ascensão.

A política chinesa de Bannon é uma espécie de fascismo econômico. Seu objetivo real de forçar Pequim a realizar reformas fundamentais é a subjugação econômica da China.

As palavras ameaçadoras de Bannon em relação à China estão provocando um efeito narcótico em algumas pessoas em meio ao frenesi dos EUA de reprimir a China.

Lamentavelmente, além de Bannon, um grupo de fascistas econômicos surgiu nos EUA. Eles veem o desenvolvimento econômico e a prosperidade da China como uma ameaça fundamental aos EUA. Sua ruptura da cadeia de suprimento global está corroendo os fundamentos da globalização, o que comprometerá a paz no século XXI.

Queremos levantar duas questões. Primeiro, a atitude agressiva dos EUA em relação à China terá um certo impacto sobre o mundo ocidental. Mas, se os EUA forçarem os países ocidentais a se desvincularem das empresas de alta tecnologia chinesas e incitarem uma “guerra fria” tecnológica e econômica entre o Ocidente e a China, isso deverá enfrentar resistência, já que isso não se encaixa nos interesses dos países ocidentais.

Em segundo lugar, o pensamento maléfico de Bannon contra a China é o epítome das ideias cruéis de algumas elites dos EUA em relação à China. É incerto se elas se tornarão a verdadeira política chinesa do governo dos EUA.

Enquanto a guerra comercial aumenta, a sociedade chinesa deve estar preparada para políticas insanas dos EUA. As empresas de alta tecnologia da China, em particular, devem se precaver.

Todas as empresas chinesas que desejam chegar ao ápice da alta tecnologia devem aprender com o exemplo sereno da Huawei. Se houvesse apenas um grupo de empresas chinesas compartilhando propriedade intelectual com parceiros estrangeiros, então certas forças maliciosas hesitariam diante dessa severa sanção.

Existem empresas de alta tecnologia da Coreia do Sul e da ilha de Taiwan que lideram algumas áreas específicas. O continente chinês não está ficando para trás, e, portanto, é bem possível que as empresas chinesas desenvolvam sua própria carta na manga se trabalharem com mais afinco.

O governo chinês anunciou uma política fiscal preferencial para a indústria de semicondutores na quarta-feira, com o objetivo de combater a repressão dos EUA. Empresas trabalhadoras, com apoio do governo e do povo, ajudarão a China a vencer o jogo contra os EUA.

O enorme mercado chinês proporcionará as melhores condições para a inovação de alta tecnologia. Às vezes, o infortúnio é uma bênção disfarçada.

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