Efeitos das mudanças climáticas em regiões de baixa renda contribuem para desigualdade social

Inundações em Serra leoa | Foto: Sierra Leone Red Cross Society

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06 Dezembro 2018

As pessoas expostas a riscos decorrentes das mudanças climáticas em regiões de baixa renda têm sete vezes mais chances de morrer e seis vezes mais chances de serem feridas ou de terem que se deslocar, na comparação com a população de regiões de alta renda.

A conclusão é de relatório divulgado na última semana pela Climate Trends, uma empresa de pesquisa climática com sede na Índia.

A reportagem é de Camila Boehm, publicada por Agência Brasil, 05-12-2018. 

“Um aumento adicional nas temperaturas globais afetará mais as pessoas desfavorecidas e vulneráveis por meio da insegurança alimentar, de preços mais altos dos alimentos, da perda de renda e de oportunidades de subsistência, impactos adversos à saúde e deslocamentos da população. No caso específico da Índia, isso é extremamente preocupante porque o país tem grande população vulnerável, que pode ser particularmente atingida”, disse Aarti Khosla, diretora da Climate Trends, durante a divulgação do relatório. A Índia está muito exposta a riscos de desastres naturais, com alta exposição à seca, calor e inundação, o que também leva a alta vulnerabilidade da população à pobreza. Segundo a entidade, se não houver intervenção, a Índia será um dos principais locais a sofrer com a extrema pobreza até 2030. Além disso, a mudança climática, que altera padrões como temperatura e volume de chuva, deverá aumentar a desigualdade dentro da Índia entre ricos e pobres, e também entre estados, concluiu a Climate Trends. A mitigação das mudanças do clima e a erradicação da pobreza são questões a serem tratadas conjuntamente, de acordo com o relatório.

Em agosto de 2017, a forte chuva de monção causou inundações generalizadas em toda a Índia, Bangladesh e no Nepal, levando a pelo menos 1.200 mortes, segundo divulgou a entidade. Quatro estados do norte da Índia foram bastante afetados pelas inundações, que danificaram cerca de 80 mil casas e afetaram 18 milhões de pessoas.

Um ano depois, em julho e agosto deste ano, o estado indiano de Querala sofreu com forte chuva, registrando 2.378 mm (2.4m) durante 88 dias, nível quatro vezes maior que a média. Uma avaliação dos impactos econômicos no estado constatou que 4,13 milhões de trabalhadores foram afetados nos cinco distritos mais afetados pela chuva. O relatório concluiu que as perdas econômicas das enchentes de 2018, só no estado de Querala, excederam os danos causados por todas as inundações na Índia em 2017.

A projeção econômica do setor de turismo para 2019 foi reduzida também, como resultado da devastação generalizada no país. “Trabalhadores do setor de turismo são suscetíveis a danos indiretos, pois os pontos de atração turística são destruídos pelas enchentes e os turistas evitam visitar as áreas impactadas”, divulgou a Climate Trends.

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