Mudanças climáticas podem inviabilizar pastos e colocar em risco consumo de carne

Gado. | Foto: PxHere

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23 Fevereiro 2018

Estudo revela uma tendência mundial de variação nas chuvas que caem sobre as pastagens e alerta para o impacto negativo em regiões mais pobres.

A reportagem é de Luciana Vicária, publicada por Observatório do Clima, 20-02-2018.

A variabilidade das chuvas que irrigam pastagens no mundo inteiro aumentou 49% ao longo de pouco mais de cem anos. Precipitações mais imprevisíveis restringem a capacidade de sustentar o gado e alimentar a humanidade. É o que revela um novo estudo publicado na segunda-feira (19) pela revista científica Nature Climate Change.

As pastagens são terrenos muito vulneráveis e frequentemente são inadequadas para a produção de culturas agrícolas. Nessas áreas, chuva demais, chuva de menos ou chuva na época errada pode significar menos capacidade de suporte. “Pequenas mudanças no volume de chuvas podem colocá-las em risco permanente”, diz Lindsey Sloat, principal autora do estudo e pesquisadora do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota (EUA).

O trabalho teve a participação de Laerte Ferreira, da Universidade Federal de Goiás, que lidera o grupo que produz dados sobre pastagens no Brasil para o projeto MapBiomas.

A revelação mais indigesta do estudo, segundo Sloat, é que as pastagens mais afetadas pelas alterações na precipitação são também as que abrigam as populações mais pobres – e, como não podia deixar de ser, a produção nesses locais sofre um nível de ameaça ainda maior. As mudanças na variabilidade da precipitação são especialmente relevantes em áreas que podem estar perto dos limites do colapso do ecossistema, como parte da província de Xinjiang, na China, e a região de Huánuco, no Peru Central. A distribuição das chuvas nestas duas localidades passou de uniforme a irregular nos últimos anos.

A variação da precipitação também tem aumentado em ritmo muito acelerado em partes de Sahel, região entre o deserto do Saara e a savana do Sudão; na Somália e no Quênia, ameaçando a produção de gado e a subsistência de milhares de famílias. No Brasil, a região Centro-Oeste concentra a maior parte das pastagens ameaçadas. “Isso é um grande problema, porque pastagens naturais aliviam a pressão para se converter florestas e terras agrícolas em pasto”, afirma Sloat.

Sloat e seus colegas criaram mapas globais com tendências de variação de precipitação a partir de dados climáticos de 1901 a 2014. Como resultado, apontaram o nível de vulnerabilidade de cada região. “Precisamos focar em adaptação. Afinal, pastagens alagadas ou secas demais podem colocar em risco a produção de carne e leite que alimenta cerca de 800 milhões de pessoas”, diz Sloat.

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