Católicos de esquerda ou geração Francisco?

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01 Novembro 2017

"Plaidoyer pour un nouvel engagement chrétien",
de Pierre-Louis Choquet, Anne Guillard e
Jean-Victor Elie,
ed. L'Atelier, p. 144, 15 €

Os católicos de esquerda estão de volta? É o que se pensa imediatamente ao ler esse livro, escrito por três jovens católicos, três belas cabeças, Pierre-Louis Choquet, Anne Guillard e Jean-Victor Elie.

O comentário é de Isabelle de Gaulmyn, publicado por La Croix, 31-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

É um livro que defende um "cristianismo de incompletude" (christianisme de l'inachèvement), ou seja, que ousa o encontro, aberto à discussão e ao compromisso com uma sociedade que não é mais cristã. Um cristianismo "aqui e agora", que visa lutar contra as desigualdades, proteger o planeta e acolher os estrangeiros. Preocupados com o sucesso da "manif pour tous", os autores se recusam a deixar o monopólio do catolicismo para os partidários de uma concepção que consideram "patrimonial" e "identitária" da religião.

Católicos de esquerda, então? Não é tão simples. Além disso, no livro, eles nunca se referem aquele catolicismo dos anos 1970, dominado, pelo menos no plano intelectual, por um compromisso com a esquerda. E por um bom motivo: o seu trabalho não repropõe a linha daquela época, distingue-se dela no essencial. Em primeiro lugar, pela ausência completa de reivindicações sobre a instituição Igreja. Enquanto os anos 1980 e 1990 viram o embate entre duas visões eclesiais - tradicionalistas e progressistas -, os anos depois da "manif pour tous" veem uma contra a outra as duas visões políticas. A urgência, para esses jovens autores, não é a sacristia, mas o mundo, onde o cristianismo ainda tem um papel a desempenhar.

Segunda diferença, esses "jovens católicos" estão brandindo a Bíblia, que conhecem muito bem.

Alguns católicos de esquerda dos anos 1970 acabaram por esquecer as suas raízes cristãs. Eles, ao contrário, as proclamam, as reelaboram, e é a partir de sua fé que apoiam um forte compromisso com a sociedade.

Finalmente, desconfiam de um catolicismo que se limita a iniciativas no campo, embora dignas de louvor. Reivindicam uma ação coletiva para influenciar os mecanismos políticos da sociedade global. E embora se posicionem claramente à esquerda, a sua análise é válida para todos aqueles que são chamados pelo cristianismo para "cuidar o mundo", escrevem eles, citando "Laudato si’".

Como se se tratasse não tanto do retorno dos católicos de esquerda, quanto do surgimento de uma "geração Francisco".

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