Steve Bannon, peça crucial da oposição de Trump a Francisco, é afastado do Conselho de Segurança Nacional. O polêmico assessor do presidente é um aliado do cardeal Burke

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07 Abril 2017

Nesta quinta-feira, 06 de abril, a notícia em alguns jornais é que o radical Steve Bannon, da Casa Branca, guru ideológico de Trump, deixou o Conselho de Segurança Nacional. Um general do Pentágono, Herbert Raymond McMaster, ocupa o seu lugar.

A reportagem é de Carlos García de Andoin, publicada por Religión Digital, 06-04-2017. A tradução é de André Langer.

Quero aproveitar esta notícia para oferecer algumas informações sobre este ultracatólico. De fato, em 07 de fevereiro passado, o The New York Times publicou uma reportagem sobre a estreita relação deste senhor Steve Bannon com o cardeal Raymond Burke, líder do grupo de cardeais abertamente em confronto com Francisco.

Ambos se reuniram em 2014 e se reconheceram em sintonia de cosmovisão em três pontos. A ameaça de um islã que pretende derrubar um Ocidente fragilizado pela erosão dos valores cristãos tradicionais. A galopante secularização que requer uma resposta tradicionalista da Igreja. E, terceiro, a convicção de que o Papa Francisco é um pontífice equivocado que deve ser freado ou combatido, pois sua agenda inclusiva sobre a migração, a mudança climática e a pobreza é suspeitosamente socialista.

O Papa Francisco e Obama compartilhavam uma mesma visão de mundo. Trump e Francisco, dois dos principais líderes globais, representam, pelo contrário, lideranças antagônicas.

Onde um nega a mudança climática, o outro chama à conversão a uma ecologia integral. Onde o norte-americano reduz o gasto social, o argentino chama à redistribuição das riquezas. Onde aquele quer levantar muros para impedir a passagem de migrantes, este impulsiona corredores de refugiados e denuncia o cemitério de migrantes em que se transformou o Mediterrâneo. Onde Trump impede a entrada de muçulmanos, Francisco lava os pés de uma muçulmana na Quinta-Feira Santa e multiplica sinais de diálogo com o islã.

Nesta batalha, pouco importa um presidente duas vezes divorciado, que se gaba de tocar as mulheres. Na Administração Trump os “Rad Trads” – radicais tradicionais – vislumbram um aliado. E decidiram que em vez de gastar horas lutando contra o Papa, vão trabalhar “construtivamente”, como dizem, com a Administração Trump em defesa dos valores cristãos tradicionais, e Steve Bannon é uma peça crucial desta estratégia, que procura isolar o Papa Francisco.

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