Governo não entende a dimensão das crises que tem enfrentado

Mais Lidos

  • Genocídio Yanomami em debate no IHU. Quanta vontade política existe para pôr fim à agonia do povo Yanomami? Artigo de Gabriel Vilardi

    LER MAIS
  • A campanha da Fraternidade 2024. Fraternidade e Amizade Social. Artigo de Flávio Lazzarin

    LER MAIS
  • A primeira pergunta de Deus ao homem foi “Onde você está?”. O Artigo é de Enzo Bianchi

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

09 Janeiro 2017

O governo federal tem enorme dificuldade para entender a dimensão das crises que enfrenta. No caso dos massacres em presídios não foi diferente. Da inexplicável demora do presidente Michel Temer em se manifestar sobre o assunto – e quando o fez foi de maneira desastrosa – até as poucas providências tomadas, o governo parece não compreender a gravidade da situação. Pior: segue errando no caso.

A reportagem é de Marcelo de Moraes, publicada por O Estado de S. Paulo, 09-01-2017.

O exemplo mais recente aconteceu neste domingo, 8. No mesmo dia em que eram reveladas novas mortes em outro presídio de Manaus, o Ministério da Justiça divulgou nota oficial para anunciar a realização de uma reunião com os secretários estaduais de Segurança Pública de todo o País para discussão de “medidas imediatas para a crise do sistema penitenciário”. Data da reunião? Só em 17 de janeiro. Ou seja, daqui a oito dias, mostrando que o conceito de “medidas imediatas” é mais elástico dentro do governo.

Inexplicavelmente, Temer segue sem aparecer em Manaus ou Boa Vista para ver a crise de perto. Em compensação, vai para Esteio, no Rio Grande do Sul, participar de uma prosaica entrega de ambulâncias. Em seguida, pode viajar para Lisboa para acompanhar o funeral de Mário Soares.

Não é a primeira vez que o governo se desgasta pela demora para resolver uma crise. Aconteceu a mesma coisa no episódio em que o então ministro da Cultura Marcelo Calero acusou Geddel Vieira Lima (Casa Civil) de pressioná-lo para liberar a construção de um prédio onde tinha comprado apartamento. O governo passou uma semana sangrando em praça pública antes de fazer o óbvio, que era convencer Geddel a se demitir e encerrar a crise.

No caso dos presídios, o governo errou ao tentar restringir o caso à esfera estadual, quando surgiu a informação das mortes em Manaus. Como tinha liberado para os Estados cerca de R$ 1,1 bilhão, nos últimos dias do ano, por meio do Fundo Penitenciário, o governo quis mostrar que fizera sua parte repassando recursos para que os governadores cuidassem de seus presídios. Por causa disso, também evitou enviar a Força Nacional para os locais afetados pela crise nos presídios.

O momento não poderia ser pior para o governo lidar com um problema desse porte. O plano do presidente era aproveitar o recesso de janeiro do Congresso e do Judiciário para organizar uma agenda positiva e tentar recuperar sua fragilizada imagem. As mortes nos presídios demoliram a estratégia e as falhas nas respostas dadas deixaram o governo mais fraco do que já estava.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Governo não entende a dimensão das crises que tem enfrentado - Instituto Humanitas Unisinos - IHU