Cientista alerta para perigo de savanização da Amazônia

Imagem: Wikimedia Commons

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12 Outubro 2016

Acordo de Paris ainda é pouco para combater o aquecimento global, que pode trazer como pior cenário para o País a modificação do ecossistema amazônico.

A informação foi publicada por Rádio USP e reproduzida por EcoDebate, 11-10-2016.

O aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas são um risco muito grande para o homem. No entanto, as pessoas parecem não se dar conta disso. O Protocolo de Kyoto foi ignorado por muitos países, e o Acordo de Paris, mais recente, é considerado positivo, um passo importante para o planeta. No entanto, importantes cientistas elaboraram e acabaram de divulgar um relatório que alerta: ainda é pouco, é preciso fazer mais.

Projeção do aquecimento global até meados do século 21 (Foto: Wikimedia Commons)

A repórter Silvana Pires ouviu um dos cientistas envolvidos nessa análise, o professor José Goldemberg, ex-reitor da USP e atual presidente da Fapesp. Ele alerta para fato de que as pessoas não atentam para a gravidade do problema, uma vez que as mudanças climáticas são lentas, embora irreversíveis. Daí a relevância de que cientistas e especialistas chamem a atenção da população e dos governos sobre a importância do problema, os quais têm se mostrado sensibilizados em relação a isso.

A China, por exemplo, depois de muita resistência inicial, passou a adotar uma outra postura a partir do momento em que o desenvolvimento do país levou a um uso crescente de carvão e de petróleo, o que acabou agravando a poluição local. Diante dessa nova realidade, o governo chinês decidiu colocar um freio no uso do carvão. O Brasil também se mostra suscetível ao perigo representado pelas mudanças climáticas, e passou a revelar preocupação com o desmatamento da Amazônia.

Segundo Goldemberg, o pior cenário que o aquecimento global pode trazer ao Brasil é a savanização da Amazônia. É que, quando se começa a desmatar em larga escala, a floresta não consegue mais se recuperar. Há um risco, portanto, de a Amazônia tornar-se um grande cerrado, o que mudaria completamente o regime de chuvas no Sul do País, afetando imediatamente a produção de energia hidrelétrica. Um outro risco seria a elevação do nível do mar.

Em nível mundial, as mudanças climáticas se fazem sentir na redução da camada de gelo na calota polar do Ártico e também no recuo da área coberta por gelo em montanhas da Europa e também da Ásia, fenômenos devidamente documentados pelos cientistas.

Ouça aqui a entrevista do professor José Goldemberg à repórter Silvana Pires.

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