Jesuíta colombiano defensor da paz morreu horas antes da assinatura do acordo

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28 Setembro 2016

O jesuíta sofreu um duro golpe em 1979, quando dois dos seus melhores amigos, os pesquisadores sociais Mario Calderón e Elsa Alvarado, foram assassinados em seu apartamento por paramilitares de ultradireita.

A reportagem é publicada por Vanguardia, 27-09-2016. A tradução é de André Langer.

O padre colombiano Gabriel Izquierdo, um dos grandes lutadores pela paz em seu país, morreu no domingo, poucas horas antes da histórica assinatura do acordo entre o governo e a guerrilha das FARC, informou a Companhia de Jesus.

A informação não precisou as causas da morte de Izquierdo, de 74 anos, que, junto com outros jesuítas, foi uma das grandes referências do Centro de Investigação e Educação Popular (CINEP), ONG icônica na luta pela democracia, pela paz, pelos direitos humanos e na pesquisa social.

O sacerdote sofreu um duro golpe em 1979, quando dois dos seus melhores amigos, os pesquisadores sociais Mario Calderón e Elsa Alvarado, foram assassinados em seus apartamentos por paramilitares de ultradireita.

Izquierdo conseguiu reunir-se com o chefe dos paramilitares, Carlos Castaño, para reclamar-lhe frente a frente pela morte dos seus amigos e anunciar-lhe que nenhuma ação de represália o faria mudar seus objetivos de luta pela justiça.

A imprensa local destacou a “ironia” de que Izquierdo morresse sem ver o momento em que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o chefe das FARC, Rodrigo Londoño, assinaram o acordo que, caso for ratificado pelo plebiscito do próximo domingo, colocará um fim a uma guerra de 52 anos.

Embora a violência na Colômbia tenha ramificações complexas e originado grupos de extraordinária crueldade, como os paramilitares comandados por Castaño – assassinado em 2004 por um dos seus guarda-costas –, o conflito com as comunistas FARC é considerado a raiz de todo o fenômeno.

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