Os países a favor da biologia sintética contra o resto do mundo

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Por: Jonas | 20 Outubro 2014

Aumenta a tensão nas negociações da 12ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica (CDB –COP12) das Nações Unidas a respeito da regulação da biologia sintética. Entre os 94 países que participam da Conferência, um pequeno clube de nações ricas, com poderosas indústrias biotecnológicas (Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Suíça, Brasil e a União Europeia), tem se oposto aos países da África, do Sudeste Asiático, América Latina e do Caribe sobre a necessidade de uma governança internacional para a também chamada engenharia genética extrema.

A reportagem é do ETC Group, publicada por Rebelión, 17-10-2014. A tradução é do Cepat.

Enquanto o clube da biologia sintética cuida dos interesses de suas indústrias biotecnológicas, os países do Sul procuram proteger a subsistência e os interesses de milhões de agricultores em pequena escala, camponeses e povos indígenas. “Há uma disputa entre um punhado de Estados ricos, promotores da biologia sintética, e os países mais pobres do Sul global, para cujos agricultores e biodiversidade esta tecnologia é uma ameaça”, explica Silvia Ribeiro, diretora para América Latina do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (Grupo ETC), falando de Pyeongchang, Coreia, onde seguem as negociações. “O clube da biologia sintética se nega a estabelecer um marco internacional para esta engenharia genética extrema. É como se a indústria biotecnológica lhes dissesse o que fazer”.

A biologia sintética, com suas técnicas de bioengenharia, dá à indústria um controle enorme sobre as formas de vida e o DNA, que está redesenhando e manipulando para propósitos comerciais. Os primeiros produtos da biologia sintética, em sua maioria derivados de algas ou fermentos redesenhados, já se encontram sem normatividade alguma em alimentos, fragrâncias e outros bens de consumo.

A companhia Evolva, que foi muito visível em Pyeongchang, lançou ao mercado um condimento imitando a baunilha, produto com as técnicas mencionadas. Unilever e Ecover já utilizam em seus sabões e limpadores óleo de algas manipuladas com biologia sintética. Espera-se que saiam ao mercado muitos outros produtos para competir com plantações de alto valor, tradicionalmente semeados ou colhidos por camponeses no Sul. A sociedade civil expressou preocupações no sentido de que esses novos produtos substituem a produção tradicional de baunilha, coco e outros bens tropicais, ao mesmo tempo em que introduzem importantes riscos de biossegurança. “A biologia sintética se apresenta pomposamente como uma tecnologia com a força para mudar o mundo. Sem uma governança internacional para regulá-la, a liberação e comercialização dos organismos da engenharia genética extrema poderiam ter efeitos muito graves, irreversíveis, de longo prazo”, afirma Jim Thomas, do Grupo ETC.

Severas diferenças saíram nas discussões, durante o fim de semana, a respeito da regulação da nova indústria. Bolívia, Filipinas, Malásia e os estados Africanos insistiram em que os marcos internacionais propostos não podem ser meramente uma opção extra que os países do Norte podem ignorar. Os promotores desta tecnologia já impediram propostas anteriores de uma moratória sobre a liberação dos organismos modificados sinteticamente, como também se chamam.

Os grupos da sociedade civil destacam que a postura da União Europeia parece ter sido reduzida ao que ditam um punhado de países, particularmente o Reino Unido, que recentemente se comprometeu em investir 100 milhões de dólares na pujante indústria da biologia sintética desse país. “Parece que seus cidadãos não estão sendo informados sobre as ações arbitrárias que seus governos promovem”, disse Neth Daño, diretora para Ásia do Grupo ETC.

Prêmios Capitão Gancho 2014

Nesta terça-feira, grupos da sociedade civil realizaram a entrega dos “Prêmios Capitão Gancho” para denunciar que as tecnologias de biologia sintética são uma ameaça aos recursos genéticos e as formas de sustento das comunidades camponesas do mundo.

Reino Unido e Canadá receberam o prêmio “Caverna do Pirata” por promover com muito afinco a indústria da biologia sintética e impor agressivamente seus interesses individuais. A empresa suíça Evolva recebeu o prêmio “Quero ser Monsanto” por lançar ao mercado vanilina sintética, o que pode prejudicar mais de 200.000 famílias produtoras de baunilha nas florestas tropicais e por seus planos em comercializar açafrão sintético, colocando em risco o sustento dos plantadores de açafrão no Oriente Médio. Glowing Plants Inc., de São Francisco, Califórnia, recebeu o prêmio “Hacker louco”, porque planeja enviar por correio centenas de milhares de sementes sinteticamente modificadas para as pessoas incautas que financiaram o projeto de plantas fosforescentes, no ano passado, mediante uma campanha de internet, apesar da falta de regulação que existe para liberar no meio ambiente os organismos derivados da biologia sintética.

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