Naza: Aquele silêncio após a exibição. Comentário de Tonio Dell’Olio

Foto: reprodução/ NAZA

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01 Outubro 2026

"Naza joga exatamente isso na nossa cara. Ela não pode mudar o passado, mas ainda pode questionar o futuro", escreve Tonio Dell’Olio, em artigo publicado por Mosaico Di Pace, 30-09-2026.

Eis o artigo.

Ao final de Naza, que esteve em cartaz nos cinemas por alguns dias, o silêncio permanece. Não é apenas uma ausência de palavras. É respeito às vítimas do genocídio cometido em Gaza; é uma dor que não encontra palavras adequadas; é um espaço para reflexão aberto em meio ao tumulto dos nossos dias. É tudo isso junto e muito mais.

Aqueles que acompanham o que acontece em Gaza já sabiam sobre o uso sistemático e genocida da inteligência artificial. O L'Osservatore Romano escreveu sobre isso em 11 de junho de 2024, citando investigações do Guardian, da +972 Magazine e do Local Call sobre o papel desses sistemas na seleção de alvos e o custo extremamente alto em vidas civis.

Mas saber ainda não é olhar. Naza nos força a fazê-lo. O que incomoda a alma é a normalidade com que o mal é organizado, executado, justificado. A banalidade do mal se manifesta na recusa em questionar a si mesmo, no procedimento que substitui a consciência, no ser humano reduzido a um alvo e friamente definido como objetivo.

A desumanização do outro também se torna a sua própria. E cada justificação administra mais uma dose de anestésico às consciências. Naza joga exatamente isso na nossa cara. Ela não pode mudar o passado, mas ainda pode questionar o futuro. Que Deus a permita! Contanto que o silêncio que acompanha o fim da exibição finalmente encontre palavras e gestos capazes de romper o silêncio da cumplicidade.

Nota do IHU

O filme está em cartaz, nesta semana, nos Cine Bancários e no Centro de Cultura Mário Quintana - CCMQ, em Porto Alegre.

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