24 Setembro 2026
"No dia do grande juízo, a surpresa não será descobrir quem ficou de fora, mas ver quem nos ultrapassa na fila."
O comentário é de Goffredo Boselli, monge da Madia, publicado por Casa della Madia, para o 26º Domingo do Tempo Comum, 27-09-2026.
Eis o comentário.
Evangelho
Naquela ocasião, Jesus disse aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: "O que vocês acham? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: 'Filho, vá trabalhar hoje na vinha'. Ele respondeu: 'Não quero'. Mas mudou de ideia e foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Este respondeu: 'Sim, senhor'. Mas não foi. Qual dos dois cumpriu a vontade do pai?" Responderam: "O primeiro". E Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo: os publicanos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus. Pois João Batista veio até vocês pelo caminho da justiça, e vocês não creram nele; os publicanos e as prostitutas, ao contrário, creram nele. E vocês, mesmo depois de ver isso, não se arrependeram, a ponto de crer nele."
Comentário
"Os publicanos e as prostitutas vos precedem no reino dos céus"; no texto original grego usa-se o verbo proàgousin, que significa literalmente "precedem vocês, caminham à frente de vocês", descrevendo uma fila para entrar no Reino, uma verdadeira procissão. Por que os publicanos e as prostitutas se encontram, já agora, à frente das autoridades religiosas às quais Jesus está falando? Porque, quando João Batista pregou a conversão, os publicanos e as prostitutas creram nele. Não tinham méritos a ostentar, não tinham uma reputação a defender, não tinham uma imagem de santidade a proteger. E, quando ouviram o anúncio da misericórdia de Deus da parte de Jesus, lançaram-se em seus braços. Os observantes da Lei, os sábios e os devotos, ao contrário, ficaram a olhar, levantando objeções de todo tipo: "Tocamos flauta para vocês, e vocês não dançaram; cantamos um lamento, e vocês não bateram no peito!".
"Os publicanos e as prostitutas vos precedem no reino dos céus" — esta frase de Jesus evangeliza a imagem de Deus, torna-a boa notícia, demolindo a ideia de um Deus alfandegário, que faz entrar no Reino com base na simples observância das regras. Revela, ao contrário, que o primado no Reino de Deus não cabe a quem é irrepreensível, mas a quem é humilde; não a quem se sente puro, mas a quem se reconhece pecador e está pronto a acolher o amor gratuito. Todo pecador público — como eram, na época, os cobradores de impostos a serviço dos romanos, e como são, ontem como hoje, as prostitutas — no fundo do seu sofrimento, conserva a capacidade de desejar uma vida outra e de chorar pelo próprio vazio. Quem se crê justo, ao contrário, tem o coração anestesiado.
Esta palavra de Jesus é uma espada de dois gumes, sobretudo para quem vive no espaço eclesial e se considera "gente de bem". É uma palavra que nos leva necessariamente a nos perguntar se a nossa fé nos torna capazes de nos colocarmos em fila com quem erra, ou se nos leva a olhar os outros com desprezo do pedestal de nossa suposta honestidade. Jesus nos lembra que o reino de Deus é acessível apenas a quem depõe as armas do orgulho e aceita o abraço da misericórdia do Senhor como um dom imerecido. E nessa fila, paradoxalmente, quem pensava ser o último se encontra na frente.
Jesus não privilegia os publicanos e as prostitutas porque pecaram, mas porque a dureza de sua condição de pecadores públicos não lhes permitiu mentir para si mesmos. Não escondiam dos outros, de modo hipócrita, o que eram, porque o seu pecado estava diante de todos. O seu comportamento, socialmente marcado e religiosamente condenado, privou-os daquela máscara de bem-parecer atrás da qual é fácil esconder o vazio. Não tinham mais nada a perder e, por isso, estavam dispostos a arriscar tudo para encontrar o perdão de Deus.
Jesus, no texto grego, não usa o verbo proàgousin apenas para indicar uma ordem de chegada, mas para revelar uma inversão: a fila para o Reino não é guiada por quem colecionou méritos, mas por quem caminha de mãos vazias, com o coração partido e, muitas vezes, com lágrimas nos olhos.
No dia do grande juízo, a surpresa não será descobrir quem ficou de fora, mas ver quem nos ultrapassa na fila. À frente da fila para o Reino encontraremos pessoas que a sociedade humilhou e marginalizou, e que a religião julgou e condenou. Quem tocou o fundo do pecado e, nu diante de sua própria miséria, chorou por seus erros, já agora está muito mais perto de Deus do que quem se sente justo e julga os outros.
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