Deus como estratégia de voto na extrema-direita: religião e a disputa pelo sagrado na política brasileira

Evento debate sobre as políticas de manipulação religiosa que dominam a esfera pública no Instituto Humanitas Unisinos – IHU nesta quarta-feira, 03-09-2026, às 17h30min

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Por: Luana de Oliveira | 02 Setembro 2026

Citar Deus em meio a discursos políticos virou uma das principais falácias da extrema-direita no cenário nacional. A fala "Deus, pátria e família" traz consigo inúmeras discriminações e violências, a partir da demonização de grupos como a população LGBTQIA+, mulheres feministas, indígenas e outras religiões. Tal discurso coloca a "família tradicional brasileira" no centro dos debates, fomentando discursos de ódios e antigênero que buscam anular direitos. 

Segundo o relatório Religião e a Contínua Mobilização da Extrema-Direita realizado pela Otros Cruces com o apoio da ONG Conectas, de acordo com um levantamento realizado Instituto de Estudos da Religião (ISER), dos 513 parlamentares eleitos em 2022 na Câmara Federal, 399 possuem identificação religiosa. Para além das associações partidárias, os parlamentares se organizam por Bancadas e Frentes que são constituídas a partir de identificações temáticas. Ao todo, existem 267 Frentes Parlamentares (FP) no Brasil. Entre as mais influentes estão a Frente Parlamentar Evangélica e a Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana. Ambas as frentes se unem em uma ideologia cristã conservadora tendo como principais projetos as políticas de gênero contra o aborto e a liberdade sexual, a defesa da educação a partir do movimento escola sem partido e a pauta da segurança pública, defendendo inclusive o ato de "armar o cidadão de bem". 

Para o sociólogo Ricardo Mariano "o envolvimento da Direita Cristã na política, além de criticado por religiosos e por não filiados à religião alguma, resultou na formação de diversos movimentos e coalizões seculares, que constituíram lobbies diversos para atuar sobre os poderes públicos".

Complementando, a socióloga Christina Vital menciona que o “grande problema público nacional, nesta chave religiosa, parece ser moral, obscurecendo discussões importantes sobre combate à fome, garantia de direitos, questões ambientais, melhoria da saúde básica e mental da população, corrupção sistêmica, entre outros".

Deus, urnas e extrema-direita. Religião e a disputa pelo sagrado na política brasileira 

Nesta quinta-feira, 03-09-26, os sociólogos Ricardo Mariano e Christina Vital debatem sobre religião nas políticas da extrema-direita no evento "Deus, urnas e extrema-direita. Religião e a disputa pelo sagrado na política brasileira", promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A videoconferência será transmitida ao vivo, às 17h30min.

Partindo do pressuposto da política ligada à religião e às milícias, Vital comenta que "candidaturas de sucesso exigem investimento financeiro e apoios institucionais. Infelizmente, a dobradinha milicianos, leia-se, criminosos armados, e igrejas evangélicas pode ter um rendimento eleitoral muito positivo e corroer a vida pública de uma forma avassaladora. Esta junção realiza o que uma campanha necessita: influência, fartas quantias em dinheiro investidas em candidaturas, instituições fazendo o apoio e apresentando os nomes escolhidos".

Ao falar da articulação de grupos políticos pentecostais, Mariano afirma que "fundamentados em preconceitos moralistas de extração bíblica e abertamente dispostos a discriminar minorias sexuais, muitos líderes pentecostais, versados em interpretações fundamentalistas dos evangelhos, se opõem abertamente ao espírito dos direitos humanos, dos direitos de cidadania e dos valores da democracia". O pesquisador completa que "à medida que esses políticos correm atrás de apoio, voto e legitimação providos por líderes e rebanhos religiosos, nossos políticos, partidos e governantes contribuem para reduzir a autonomia da política em relação aos poderes eclesiásticos e a seus rompantes moralistas, integristas e fundamentalistas".

Quanto às ações progressistas, Christina cita que o "problema político para liberais e para as esquerdas é que, ao se negarem a dialogar a partir de uma narrativa inclusive (e não exclusivamente) religiosa para manterem sua identidade republicana, laica, democrática, abrem um fosso enorme com uma parcela significativa da população sensível ao cristianismo, seja por dispor de vínculos institucionais, seja por viver em um ambiente culturalmente marcado por expressões cristãs".

Serviço

O quê: "Deus, urnas e extrema-direita. Religião e a disputa pelo sagrado na política brasileira"

Quando: 03-09-2026, às 17h30min

Quem:

Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU

Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias

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