13 Agosto 2026
Em um ano, a criopreservação de óvulos cresceu 44%, e todas as informações são compartilhadas nas redes sociais: não há campanhas institucionais. "Mas cuidado, o tempo de maternidade é finito." Uma jornada pelos centros, custos e desafios do congelamento social.
A reportagem é de Maria Novella De Luca, publicada por La Repubblica, 13-08-2026.
Elas, as meninas, sabem disso. Precisamos procurar em outro lugar. Porque a história do congelamento social na Itália, infelizmente, não vem de comunicados oficiais, de campanhas promovidas pelos Ministérios da Saúde, ou, muito menos, de reuniões informativas em escolas de ensino médio. Não, o congelamento social — a possibilidade de criopreservar os óvulos de uma mulher jovem e depois "descongelá-los" quando chegar a hora e o desejo de ter um filho — está, de fato, sendo compartilhado nas redes sociais. É lá, online, que as mulheres compartilham suas histórias.
Desde 2017, as primeiras mulheres — não por razões de saúde, mas simplesmente para preservar a fertilidade — recorreram a clínicas privadas para coletar e preservar seus óvulos. Ao compartilharem suas experiências, elas se tornaram, na prática, conselheiras para outras mulheres, enquanto na Itália o termo peculiar "congelamento social", assim chamado para diferenciá-lo do congelamento médico — o congelamento dedicado a pacientes com câncer — parecia estranho e distante.
De 2017 até hoje, o número de meninas que fizeram criopreservação de óvulos passou de 117 para 1.155, um crescimento de 545%. E entre 2023 e 2024, enquanto a informação permanecia restrita a conferências científicas, mas se espalhou pelas redes sociais, o número saltou de 802 em 2023 para 1.155 em 2024. "E esses dados do registro do Istituto Superiore di Sanità são certamente parciais, porque os centros não são obrigados a relatar a criopreservação de óvulos, ao contrário dos procedimentos de reprodução assistida", explica Laura Rienzi, professora associada de Ciências Biomoleculares da Universidade de Urbino e presidente da AIFE, a associação italiana de fertilidade que reúne uma rede de centros públicos e privados.
Certamente, esses números não se comparam aos da Espanha, onde 10 mil mulheres criopreservam seus óvulos anualmente com apoio do Estado. Tampouco se comparam aos da França, acrescenta Laura Rienzi, "onde o governo decidiu que, diante de uma queda demográfica acentuada, era correto preservar a fertilidade feminina, respeitando a mudança na expectativa de vida das mulheres". Desde a aprovação da lei de 2021, que tornou o procedimento totalmente gratuito pela previdência social para mulheres de 29 a 37 anos, o número de criopreservações subiu para 14 mil, mas mais de 60 mil mulheres buscaram aconselhamento sobre sua fertilidade.
O tema é vasto e gera muitas críticas por parte daqueles que veem o congelamento social como a expansão da "lei do desejo" para além das fronteiras da biologia. Mas também representa uma espécie de nova tecnodominação sobre o corpo feminino, impulsionada por empresas que, para não perderem talentos femininos no auge da criatividade, transformaram a criopreservação em um benefício. Elas chegaram ao ponto de pagar suas funcionárias para congelarem seus gametas.
E as primeiras foram multinacionais de tecnologia do Vale do Silício, como a Apple e a Meta. (Na Itália, desde janeiro de 2026, o grupo "OTB" — uma holding de moda e luxo fundada por Renzo Rosso — financia a criopreservação de gametas para suas funcionárias entre 30 e 40 anos.) Sobre as críticas de uma "nova colonização do corpo feminino", Laura Rienzi explica, no entanto, que a verdade é outra. "Hoje, as mulheres vivenciam uma contradição entre o tempo social, entendido como estudos, carreira, realização pessoal, estabilidade e o tempo reprodutivo. A ciência nos permite viver além dos noventa anos, mas o tempo reprodutivo permanece o mesmo de dois mil anos atrás; é sempre o mesmo, imutável. E depois dos 35 anos, quando mulheres e casais geralmente começam a pensar em ter um filho, os óvulos da mulher se deterioram a uma taxa enorme, com o risco de anomalias cromossômicas e infertilidade." O congelamento dos óvulos, porém, permite adiar a maternidade.
"Porque o útero, ao contrário dos óvulos, mantém-se jovem por muito mais tempo. Embora", alerta Rienzi, "para evitar problemas na gravidez, é melhor não se esforçar demais." Em suma, até os fatídicos quarenta anos, mas não muito além disso. No nosso país, porém — não do ponto de vista científico — estamos mais ou menos no ano zero. O congelamento social é realizado exclusivamente por clínicas privadas, com custos que variam desde os medicamentos para estimulação até a própria coleta, podendo chegar a 4 mil euros. Além disso, há o aluguel a ser pago às clínicas para a preservação dos óvulos a -126 graus, cerca de 250 euros por ano. Mas, acima de tudo, há falta de informação.
Isso é confirmado pelas três fundadoras de trinta anos da "Meggycare", Francesca Bosio, Fanny Nardi e Lara Ranzato, uma plataforma italiana de congelamento social de óvulos. Descobrindo a possibilidade de congelar os óvulos por acaso, durante um encontro com uma amiga ginecologista, as três amigas, após vivenciarem a falta de informação e pesquisarem na internet as melhores opções, decidiram colocar sua experiência a serviço de outras pessoas.
"Em 2025", diz Francesca, "criamos nossa startup e ajudamos mulheres jovens que desejam realizar o congelamento social a encontrar o caminho certo. Recebemos centenas de pedidos de aconselhamento. Poucas conhecem os custos e os procedimentos, mas todas se sentem ansiosas com a passagem do tempo e com o medo de nunca mais poderem ser mães." As redes sociais sozinhas não bastam: preservar a fertilidade feminina em um país onde os nascimentos estão diminuindo é uma questão crucial de saúde pública.
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