28 Julho 2026
Queimadas se alastram antes de nova onda de calor. Premiê da Espanha alertou para "momentos difíceis", e ministro do Interior da França classificou o incêndio próximo a Bordeaux como "imprevisível".
A informação é publicada por DW, 27-07-2026.
Abrigos na França e na Espanha ficaram lotados nesta segunda-feira (27/07), à medida que o número de evacuados pelos incêndios florestais nos dois países já somava mais de 325 mil e autoridades corriam para conter às chamas antes da chegada de uma nova onda de calor.
Os incêndios que devastam florestas no sudoeste da França, ao redor da renomada região vinícola de Bordeaux, e no centro da Espanha, nos arredores da capital Madri, estão entre os piores das últimas décadas e atingiram a região no auge da temporada de férias de verão.
A situação levou o presidente francês Emmanuel Macron a convocar uma reunião de crise para esta segunda-feira.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que o incêndio que assola a região de Gironde, perto de Bordeaux, se tornou "extremamente intenso e imprevisível". Cerca de 2.500 bombeiros, além de 1.500 militares e 1.200 policiais, foram mobilizados para a região.
Novas evacuações realizadas durante a madrugada elevaram o número total de pessoas desalojadas na França para mais de 250 mil.
Os incêndios na região de Bordeaux – município de 268 mil habitantes, com uma região metropolitana de mais de 1 milhão de residentes – também bloquearam estradas, incluindo uma rodovia ao longo da costa, e interromperam o serviço ferroviário.
Ao todo, até o momento, os incêndios já consumiram cerca de 42 mil hectares, devastando mais áreas do que em qualquer outro momento desde 1949, quando os incêndios destruíram 50 mil hectares.
Ao mesmo tempo, os bombeiros também estão combatendo o fogo na região de Var, no sul do país, onde 3 mil pessoas já foram evacuadas. No sudoeste francês, ao menos até sábado, 140 prédios haviam sido destruídos na região de Gironda.
Morte em Valência, fogo extenso em Madri
Um novo foco de incêndio nas proximidades da cidade litorânea espanhola de Valência, no leste do país, causou a morte de um idoso, isolado dentro de seu próprio carro, e também forçou moradores a abandonarem suas residências. O fogo, posteriormente, foi controlado.
Mas os incêndios continuam a atingir principalmente a região próxima a Madri, no centro-norte da Espanha. A oeste e ao norte da capital, dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas. No sábado, as autoridades ordenaram a evacuação de oito municípios próximos a Toledo, ao sul da capital.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou neste domingo que "horas difíceis estão por vir", depois de visitar as áreas afetadas pelo incêndio a oeste da capital.
Já o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, disse nesta segunda-feira que o país enfrentará dois dias "decisivos" para controlar e conter os incêndios antes da quarta-feira, quando a "previsão do tempo se tornará altamente desfavorável".
Ajuda da UE
No fim de semana, a Proteção Civil espanhola anunciou a chegada de quatro aeronaves adicionais para o combate às chamas, duas enviadas pela Itália e duas pela Grécia, como parte da resposta coordenada pela União Europeia (UE). Aeronaves da Holanda e de Portugal também atuam no país.
Croácia, República Tcheca, Suécia, Eslováquia, Alemanha e Suíça igualmente apoiam os países no combate aos incêndios.
Principalmente nos arredores de Madri, a ajuda no combate ao fogo é essencial, uma vez que dois dos três grandes focos ativos se uniram, formando um megaincêndio a poucos quilômetros da capital espanhola.
A ministra da Saúde da Espanha, Monica Garcia, orientou a população da região a evitar atividades ao ar livre devido à fumaça.
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