24 Julho 2026
Relatório aponta 6.602 mortes decorrentes de ações policiais, uma alta de 5,4%, e 1.571 casos de feminicídio em 2025, 4% a mais em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, homicídios atingem o menor patamar desde 2012.
A informação é publicada pela redação do DW, 23-07-2026.
O Brasil registrou em 2025 o maior número de mortes decorrentes de intervenções policiais desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com 6.602 vítimas. No mesmo ano, os feminicídios bateram recorde, com 1.571 casos, enquanto os homicídios dolosos recuaram 10%, levando o país a atingir a menor taxa de mortes violentas intencionais desde 2012. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23/07) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com a publicação da 20ª edição do relatório.
A lealidade policial teve uma alta de 5,4% em relação a 2024 – 18 vítimas por dia. Nessa mesma categoria, 99,3% das vítimas são homens e 82%, negros.
"Simbolizado pela Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes em dois dias do mês de outubro do ano passado, 2025 registrou a maior letalidade policial da série histórica disponível", diz o anuário, acrescentando que "o desafio atual deixou de ser apenas operacional e passou a envolver mecanismos de controle institucional, transparência, responsabilização e prevenção da captura das instituições públicas pelo crime organizado".
Em uma década, o país totalizou 60,5 mil vítimas de mortes em intervenções policiais, contabilizadas pelo FBSP entre 2016 e 2025.
Ainda no ano passado, foram 133 mortes de policiais civis e militares intencionais, uma queda de 3,5% na comparação com 2024. As vítimas são também em sua grande maioria homens (98,2%) e negros (61,8%).
Entre eles, o suicídio é a principal causa de morte, com 110 casos no total, uma queda de 12,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, mostra o anuário.
"Ou seja, o principal vetor de mortalidade entre policiais continua sendo o suicídio; entre as mortes violentas intencionais, o maior risco permanece associado às ocorridas durante a folga, e não ao confronto em serviço", indica o documento.
Menos homicídios, mais feminicídios
Por outro lado, o Brasil alcançou o menor número de mortes violentas intencionais desde 2012 – essa estatística inclui homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes causadas por policiais. O dado aponta uma redução de 8,2% em relação a 2024 e de 31% na comparação com 2012, resultando numa taxa de 19,1 vítimas de mortes violentas por 100 mil habitantes. As principais vítimas são homens (90,8%), negros (79,7%) e jovens de 18 a 29 anos (41,6%).
Amapá (42,5 por 100 mil), Bahia (36,8) e Ceará (34,7) são os estados com maior letalidade nesse quesito, enquanto Santa Catarina (7,6), São Paulo (7,8) e Distrito Federal (9,6) registraram as menores taxas. Maranguape, no Ceará, é a cidade mais violenta do país, com 100,3 vítimas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Na subcategoria homicídios dolosos, ou seja, com intenção de matar, o país totalizou 32,9 mil casos em 2025 – taxa nacional de 15,4 por 100 mil e redução de 10% em relação a 2024. O número significa que o Brasil atingiu, dois anos antes, a meta estipulada em 2021 pela Política Nacional de Segurança Pública, de chegar a 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Latrocínios (-17%) e lesão corporal seguida de morte (15,2%) também tiveram reduções significativas na comparação com os dados do anuário do ano passado.
Porém, os feminicídios – que estão inclusos dentro das estatísticas de homicídios dolosos – registraram uma alta de 4% em um ano, totalizando 1.571 casos em 2025. É o maior número já registrado na série, iniciada em 2015, desde que o tipo penal foi criado na legislação brasileira. Segundo o anuário, as vítimas foram em sua maioria negras (65,1%), entre 25 e 44 anos (56,5%), com a maioria delas (62,5%) mortas dentro de casa pelos parceiros (60,9%).
"Assim, a boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada. O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira", afirma a FBSP no documento deste ano.
"Nessa vigésima edição do anuário, destacamos, uma vez mais, a consistente permanência dos feminicídios que atravessa a agenda atual dos direitos das mulheres. E já sabemos que essas mortes costumam ser o último estágio de uma dinâmica cíclica e crescente de abusos. Cada episódio de ameaça, agressão, perseguição e violência psicológica é um dado de risco acumulado que, se monitorado, permite enxergar o padrão de escalada que frequentemente culmina em feminicídio. Por isso, monitorar de perto cada uma dessas ocorrências é também uma estratégia para o enfrentamento ao feminicídio", acrescenta a entidade.
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