Freiras alemãs questionam veto do Vaticano à pregação leiga

Foto: bepslabor/Canva

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08 Julho 2026

A proibição da pregação por leigos continua sendo um tema de debate na Igreja alemã. Agora, um grupo de freiras se manifesta: o Cristo ressuscitado pode ser proclamado por mulheres tanto quanto por homens.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 08-07-2026.

Um grupo de freiras criticou a proibição do Vaticano à pregação por leigos. "Somos freiras; celebramos a Liturgia das Horas, festas litúrgicas, a Eucaristia e a adoração eucarística; vivemos segundo as Sagradas Escrituras e orientamos toda a nossa vida de acordo com o Evangelho", afirma um comunicado divulgado na segunda-feira, 6 de julho, pela Ordem das Religiosas pela Dignidade Humana (Ordensfrauen für Menschenwürde).

Muitas dessas freiras são teólogas, capelãs hospitalares, conduzem exercícios e retiros espirituais ou acompanham pessoas em sua jornada espiritual. "Mas quando se trata da fonte e do ápice de nossa vida espiritual, devemos permanecer em silêncio e simplesmente ouvir."

As freiras denunciam a proibição da pregação, argumentando que ela afeta todas as mulheres, independentemente de sua origem. "Nesse sentido, a proibição da pregação não só estabelece uma diferença entre ministras ordenadas e leigas, mas também entre homens e mulheres", afirma o texto. "Assim que uma mulher fala após a leitura do Evangelho e interpreta as Escrituras à luz da vida das pessoas, alguns parecem pensar que ela ultrapassou um limite", criticam. "Estamos convencidas de que o Cristo ressuscitado pode ser proclamado por mulheres assim como por homens. A capacidade de pregar não depende do gênero, mas do chamado de Deus e do dom do Espírito Santo."

As freiras sustentam que a própria Bíblia está repleta de relatos que destacam a contribuição decisiva das mulheres para a ação de Deus na história. "A Igreja institucional faria bem em reconhecer hoje que uma compreensão correta das Escrituras e da Tradição, aliada à devida atenção aos sinais dos tempos, defende a justiça para as mulheres", escrevem elas.

Acrescentam que a Igreja universal também faria bem em dar maior peso às igrejas locais e levar em conta a diversidade de contextos. A divisão que alguns preveem caso os leigos sejam autorizados a pregar "já se concretizou há muito tempo". "A diferença é que, ao contrário do que acontecia antes, as mulheres não suportam mais a injustiça em silêncio, mas levantam suas vozes e/ou deixam a comunidade eclesial."

No final de junho, o Vaticano e a Conferência Episcopal Alemã (DBK) divulgaram uma carta do Cardeal Arthur Roche, Prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, ao Bispo Heiner Wilmer, Presidente da DBK. Nela, Roche reiterou que os leigos não estão autorizados a proferir a homilia durante a celebração da Eucaristia. Anteriormente, Wilmer havia solicitado a Roche uma dispensa que permitisse aos leigos pregar. Esse pedido teve origem no documento de trabalho "Proclamação do Evangelho por Leigos e Leigas na Palavra e no Sacramento", aprovado em 2023 pelo Caminho Sinodal.

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