Por que Roma não proíbe também muitos padres de pregar? Artigo de José Luis Ferrando

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24 Junho 2026

Que diferença há entre as reflexões de uma leiga e de um leigo que, na ausência de um sacerdote, reúnem a comunidade cristã em uma aldeia remota na zona rural da Alemanha ou da Espanha? Essa ação não contribui para o crescimento da fé dessa comunidade? Muitos pregadores da Igreja Primitiva, que difundiram o Evangelho com entusiasmo, não eram sacerdotes. Eles foram enviados por suas comunidades, como Paulo.

O artigo é de José Luis Ferrando, teólogo, filósofo e escritor espanhol, publicado por Religión Digital, 24-06-2026.

Eis o artigo.

Esta é a manchete da notícia, publicada por Jesús Bastante: “Roma proíbe bispos alemães de permitirem que leigos façam a homilia”.

Tenho orgulho de ter muitos bons amigos e alunos que são padres, tanto em pequenas cidades quanto em grandes metrópoles, e sei em primeira mão que eles preparam meticulosamente suas homilias de domingo e até mesmo seus sermões diários. É por isso que suas pregações ressoam nas pessoas, inspirando-as a viver suas vidas cristãs com mais profundidade. Por outro lado, também conheço padres que não preparam suas homilias nem compreendem as pessoas que estão diante deles e, portanto, suas pregações não só não as alcançam, como também afastam os fiéis.

Uma boa homilia não exige que o padre seja um exemplo de oratória. Quantas homilias aparentemente brilhantes servem apenas para elevar o sacerdote em questão a uma posição de santidade e nada mais! Como disse São Francisco em uma de suas admoestações: "Os santos realizaram as obras, e nós, ao recitá-las, queremos receber glória e honra". Algumas palavras simples, bem rezadas, meditadas e cuidadosamente ponderadas, podem, sem dúvida, soar sinceras e convincentes. E especialmente se forem acompanhadas por um testemunho vivo de dedicação e paixão pela Palavra de Deus.

Roma parece incomodada com o termo "homilia", reservado exclusivamente para padres, mas permanece indiferente às práticas homiléticas deficientes de muitos padres, que frequentemente se dirigem às suas congregações de forma desorganizada, sem qualquer calor ou preparação. E não nos esqueçamos daqueles que gostam de ocupar o tempo de suas congregações estendendo suas reflexões por mais de meia hora, sempre repetindo as mesmas coisas e sem qualquer conexão com a vida dos fiéis. Além disso, os horários das missas muitas vezes coincidem com as horas que antecedem as refeições e, como diz um velho ditado, se você não tocar os corações em cinco minutos, os fiéis começarão a sentir outra coisa... Muitos padres, após concluírem seus estudos eclesiásticos, não leram um único livro sobre teologia bíblica, nem se atualizaram em qualquer ramo do currículo teológico. Lamentavelmente, limitam-se a repetir, acriticamente, muitos ensinamentos que já estão obsoletos, pelo menos em sua forma.

Que diferença há entre as reflexões de uma leiga e de um leigo que, na ausência de um padre, reúnem a comunidade cristã em uma aldeia remota na zona rural da Alemanha ou da Espanha? Essa ação não contribui para o crescimento da fé dessa comunidade? Muitos pregadores da Igreja Primitiva, que difundiram o Evangelho com entusiasmo, não eram sacerdotes. Eles foram enviados por suas comunidades, como Paulo (Atos 13,1-3).

A Igreja alemã, que conheço muito bem, pode facilmente perder o controle se continuar por este caminho. Se existe um laicato na Europa teologicamente bem preparado e comprometido, esse laicato é o alemão. Certos princípios, que não deveriam ser dogmáticos, precisam ser revistos e atualizados à luz dos sinais dos tempos. Ou este é realmente o momento da sinodalidade e da participação ativa dos leigos nas tarefas eclesiais, ou perderemos nossa credibilidade.

Se Roma continuar com essas proibições, chegará o dia em que o padre terá que proclamar as leituras, o Evangelho e a homilia. O medo domina os cardeais romanos responsáveis ​​por essas tarefas. E o medo é um péssimo conselheiro.

Parabéns aos padres que se esforçaram em suas homilias...

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