Flávio Bolsonaro propõe cinco prisões no estilo de Bukele, redução da idade de responsabilidade penal e castração química no Brasil

Flávio Bolsonaro. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Flickr)

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19 Junho 2026

O candidato de extrema-direita defende o uso de armas de fogo contra criminosos armados ao apresentar seu programa contra a violência.

A reportagem é de Joan Royo Gual, publicada por El País, 19-06-2026. 

Faltam mais de três meses para as eleições, mas o Brasil já está em clima de campanha. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e principal candidato da direita, apresentou nesta quinta-feira suas propostas para a segurança pública, fortemente inspiradas nas políticas linha-dura do presidente Nayib Bukele, de El Salvador, um modelo adotado por toda a extrema-direita latino-americana.

Flávio Bolsonaro apresentou seu plano "Brasil Sem Medo" em grande estilo, em um evento no distrito financeiro de São Paulo. Entre as principais propostas está a promessa de criar cinco novos presídios de segurança máxima "inspirados nos de El Salvador". Além dos cinco presídios federais já existentes, será construído um complexo chamado Treva. A escolha do nome, segundo sua plataforma, se justifica "para tirar o medo do cidadão e dá-lo ao criminoso".

Em consonância com a recente decisão dos EUA, ele propõe declarar facções de narcotráfico e grupos paramilitares como “organizações narcoterroristas” e alertou que “criminosos armados serão mortos pelas forças de segurança”. Ele também promete reduzir a idade de responsabilidade penal de 18 para 16 anos, embora, em casos de crimes graves (homicídio, tortura, estupro, tráfico de drogas), menores de até 14 anos sejam julgados como adultos.

O senador também propõe castração química para estupradores, aumento da segurança nas fronteiras para impedir a entrada de drogas e armas, envio de tropas da Marinha aos portos que mais exportam cocaína e a criação de meio milhão de novas vagas em presídios. Em relação à segurança pública, ele pretende implementar um sistema nacional de reconhecimento facial e instalar mais um milhão de câmeras de segurança em todo o Brasil. Muitas dessas ideias exigiriam emendas à Constituição.

O programa inclui slogans tradicionais da extrema-direita, como o cumprimento integral das penas, a prisão como punição em vez da reabilitação, e assim por diante. No entanto, faz algumas investidas específicas em direção ao eleitorado feminino. Fala em “tolerância zero ao feminicídio” (usando este termo, amplamente condenado pela extrema-direita). E propõe que os autores de crimes contra mais de meio milhão de mulheres brasileiras que possuem medidas protetivas sejam monitorados com tornozeleiras eletrônicas.

Essa promessa, assim como outras, é inspirada em políticas já testadas em São Paulo. Um dos autores do programa é Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública do estado, cujo mandato foi duramente criticado devido ao aumento das mortes causadas pela polícia. O ex-juiz Sérgio Moro, que foi ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo Bolsonaro, também colaborou ativamente com as propostas. Ele acabou se desentendendo com o patriarca do clã; agora, parece ter dado uma chance ao sucessor.

O plano surge num momento em que Flávio Bolsonaro busca recuperar a popularidade após seu envolvimento no escândalo do Banco Master e em que pesquisas recentes indicam que o presidente Lula está melhorando seus índices de aprovação e ampliando sua vantagem.

O discurso sobre segurança mobiliza sua base e encontra fácil ressonância no cidadão comum. A violência é a maior preocupação dos brasileiros. Trinta por cento a consideram o principal problema do país, à frente da corrupção (19%) e dos problemas sociais (16%), segundo pesquisa divulgada na semana passada pelo Instituto Quaest. 

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