10 Junho 2026
Os atentados da noite passada demonstram que os paquistaneses conseguiram movimentar e ocultar seus foguetes. Eles continuam representando uma ameaça para os países do Golfo, aliados dos EUA, fortalecendo assim a posição da República Islâmica nas negociações.
A informação é de Gianluca Di Feo, publicada por La Repubblica, 09-06-2026.
O Irã ainda possui um arsenal significativo de mísseis. Esta é a única lição militar que emerge do fogo cruzado da noite passada: a República Islâmica mantém a capacidade de ameaçar todos os países do Oriente Médio. Não está claro o quanto essa força representa como dissuasão: até agora, não intimidou Israel, mas serve como instrumento para pressionar as monarquias do Golfo. E, indiretamente, influencia as decisões da Casa Branca, que precisa, cada vez mais urgentemente, desbloquear o Estreito de Ormuz.
Mísseis ocultos
Os Pasdaran parecem ter lançado 24 mísseis balísticos, todos modelos de última geração com foguetes de combustível sólido. Eles são transportados por caminhões, espalhados por todo o país, e, portanto, fáceis de ocultar. A Guarda Revolucionária coordenou os lançamentos em duas ondas — a primeira com 14 mísseis — confirmando que possui uma cadeia de comando capaz de se comunicar com segurança com as unidades camufladas: não se descarta a possibilidade de que essas comunicações tenham sido feitas por meio de linhas telefônicas com fio.
O Escudo Americano
Quatro dos mísseis iranianos caíram antes de atingirem seus alvos. Israel afirma ter interceptado todos os outros, embora um vídeo pareça mostrar uma explosão no solo. Deve-se notar, contudo, que a cúpula protetora foi reforçada por baterias americanas: desde o final de fevereiro, a maior parte da defesa do Estado judeu recai sobre os mísseis Thaad do Exército dos EUA e os mísseis Standard da Marinha dos EUA. Esse apoio compensou o número limitado de mísseis Arrow 3 — capazes de interceptar ataques fora da atmosfera — em posse das Forças de Defesa de Israel.
As cartas estão sobre a mesa
Mesmo sem a assistência dos EUA, a Força Aérea Israelense mantém a superioridade no espaço aéreo iraniano: mais uma vez, atacou onde e quando quis, sem temer fogo antiaéreo. Certamente, infligiu danos muitas vezes maiores do que os causados pelos disparos laterais do Pasdaran. Mas essas avaliações não alteram o panorama estratégico: a República Islâmica já suportou quinze mil ataques sem se curvar. Aliás, continua a apresentar exigências na mesa de negociações, convencida de que Donald Trump é incapaz de reabrir militarmente a passagem pelos estreitos ricos em petróleo. Mais do que qualquer míssil, a arma decisiva dos aiatolás é o controle do Estreito de Ormuz.
Leia mais
- Israel ignora Trump com um ataque ao Irã que leva a trégua ao seu ponto mais baixo
- A força militar não se mostrou útil para os EUA em relação ao Irã: como seria uma negociação realista? Artigo de Christopher S. Chivvis
- Rompendo o Iron Dome: Como o Irã está usando bombas de fragmentação para contornar o escudo antimíssil de Israel
- EUA e Israel subestimaram capacidade de fogo do Irã?
- Míssil balístico disparado pelo Irã atinge cidade israelense próxima a Nazaré
- Helicópteros e forças especiais: O "plano do urânio" que poderia vencer a guerra dos EUA e de Israel no Irã. Artigo de Gianluca Di Feo
- O conflito no Irã reacende os temores de uma guerra nuclear
- No Irã, os Pasdaran defendem a bomba nuclear: "Seria uma garantia de segurança"
- O Irã empurrado para a bomba atômica. Artigo de Luciano Fazio
- Quais são as diferenças entre o estatuto nuclear de Israel e o do Irã sob a ótica do direito internacional? Artigo de Catherine Maia