08 Junho 2026
Na Movistar Arena, ele fez um apelo para "tecer uma sociedade renovada onde o tempo seja imbuído de eternidade, a cultura preserve a memória e fomente o diálogo, a educação promova a busca da verdade com espírito crítico, a arte desperte a admiração e gere emoções nobres, os negócios reconheçam a dignidade da pessoa e o trabalho continue sendo um motor de esperança".
A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 07-06-2026.
De Rozalén a Sara Baras. Da zarzuela a Antonio Banderas. Dança, música, teatro. Mas também o esporte, representado por figuras como Carolina Marín e Teresa Perales. E o mundo dos negócios (e dos sindicatos), com Antonio Garamendi, Unai Sordo e Ángela López de Miguel. E a educação, com o reitor da Universidade Complutense. Diversas disciplinas do mundo da cultura, da arte e da civilização fizeram-se ouvir num evento emocionante e intenso na Movistar Arena, em Madri (como é agora chamada). Uma ovação de dez minutos por parte de artistas e personalidades do mundo cultural demonstrou que outro mundo é possível.
Um dia após a eliminação do Real Madrid dos playoffs da ACB (amanhã, o outro mausoléu branco, o Bernabéu, receberá o último grande evento do Papa na Espanha), Leão XIV ecoou todas as vozes, lançando sua própria proposta:
"Convido vocês a serem novos fios para tecer novas redes que harmonizem todas as áreas da vida, para criar uma sociedade renovada onde o tempo seja imbuído de eternidade, a cultura preserve a memória e fomente o diálogo, a educação promova a busca da verdade com espírito crítico, a arte desperte a admiração e gere emoções nobres, os negócios reconheçam a dignidade da pessoa e o trabalho continue sendo um motor de esperança."
Após mais uma grande procissão no papamóvel, Prevost ouviu depoimentos de artistas e figuras públicas de todas as áreas, apresentados pelo Cardeal Cobo, admirando "a marca da criatividade" que percorre a história da Espanha "e molda sua identidade". "Uma beleza visível em suas cidades, em suas ruas e monumentos, em suas praças e jardins, em suas universidades e igrejas, em sua música, pintura e dança, em sua gastronomia", reconheceu o Papa.
"Que legado estamos deixando para o futuro e, portanto, que tipo de comunidade estamos construindo?", perguntou o Papa, que enfatizou a "extraordinária capacidade" da sociedade espanhola "de produzir, inovar e comunicar", antes de admitir que "ainda precisamos aprender a salvaguardar a essência daquilo que ela gera".
"Do contrário, corremos o risco de nos tornarmos especialistas nos meios e eficientes na produção, mas incertos quanto ao porquê, ao propósito, com quem e para quem a produção ocorre", observou ele. Nesse contexto, acrescentou, "a Igreja, consciente tanto de seus sucessos quanto de seus fracassos ao longo da história, anseia por manter o diálogo com o mundo contemporâneo", propondo "caminhos para uma vida digna e para o bem comum".
A Igreja não pode ignorar a cultura
Porque, hoje como ontem, "a questão decisiva permanece a mesma: o que significa verdadeiramente ser humano?", afirmou Prevost, insistindo que "Jesus Cristo responde às grandes questões sobre a vida humana e sua plenitude, tanto neste mundo quanto em sua culminação na eternidade". Portanto, a Igreja "não pode ignorar a cultura, porque através dela, a humanidade, como seres humanos, 'é' mais". Por essa razão também, devemos continuar a fazer "questões profundas e necessárias que não podem ser ignoradas", através do "diálogo social" baseado na "arte de construir redes, que envolve encontro, escuta, diálogo e respeito".
"Nos diversos setores da atividade humana, devemos cuidar da linguagem que usamos: escrita, oral e, no ambiente digital, também a das imagens; porque a comunicação nunca é neutra", proclamou o Papa, acrescentando que "toda expressão fala, transmite; pode ferir ou curar, destruir expectativas ou abrir horizontes, semear a divisão ou despertar a esperança na possibilidade de construirmos juntos algo genuinamente humano".
Assim, ele incentivou a "construção de redes" entre diferentes instituições para promover a defesa da dignidade humana. "Isso significa, por exemplo, que as universidades não devem virar as costas para o mundo do trabalho nem renunciar à verdade ; que as empresas não devem ver os funcionários como apenas mais um fator na equação de seus interesses; que a arte não deve ser voltada apenas para a elite; que o esporte não deve ser reduzido a um espetáculo ou transformado em um mero negócio; e que o progresso tecnológico deve levar em consideração os idosos, os pobres e aqueles que não têm voz."
Em segundo lugar, o Papa propôs proclamar a Boa Nova com beleza, como fizeram em seu tempo Lope de Vega, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, Calderón de la Barca e "a prosa serena de São Tomás de Aquino". Sugeriu também tecer redes "altruisticamente", como aqueles que "movidos pela fé construíram hospitais e escolas, deram origem a iniciativas de caridade e falaram com uma linguagem que dignifica as pessoas".
"Portanto, vale a pena perguntar honestamente se o mundo — e a Europa em particular — teria forjado sua identidade sem a marca espiritual que permeou sua história." A esse respeito, Leão XIV perguntou: "É realmente possível acreditar que a Europa — que tanto amamos — seria ela mesma sem a marca da fé? Por que temer que a eternidade permeie o cotidiano?" A resposta reside no "clamor dos meus predecessores: 'Não tenham medo! Abram de par em par as portas para Cristo! Jesus Cristo nada nos tira e nos dá tudo.'"
"Quero perguntar em voz alta: quem está sendo excluído apesar de suas virtudes e capacidades? Não podemos ignorar que a situação dos pobres representa um clamor que, ao longo da história da humanidade, constantemente desafia nossas vidas, nossas sociedades, nossos sistemas políticos e econômicos e a Igreja", enfatizou o Papa, insistindo que a Igreja, embora às vezes "indo contra a corrente", mantém que "as estruturas econômicas e institucionais são justas apenas na medida em que servem ao desenvolvimento integral da pessoa e promovem a participação responsável de todos".
Por fim, referindo-se ao mundo dos esportes, o Papa defendeu o "respeito pelo adversário", que às vezes se encontra "mais em um campo de jogo do que ao ouvir um discurso". "Quantos atletas nos ensinam a perder sem odiar, a vencer sem humilhar ou a levantar depois de cair", observou ele, convidando a todos a "dar um testemunho brilhante de coesão, paz e unidade" ao mundo.
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