29 Mai 2026
Este Deus sofre na carne dos famintos e oprimidos da terra; Ele está nos oprimidos, defendendo sua dignidade, e naqueles que lutam contra a opressão, encorajando seus esforços. Ele está sempre em nós para "buscar e salvar" aquilo que danificamos e arruinamos.
A reflexão é elaborada pelo teólogo espanhol José Antonio Pagola, comentando o evangelho da Solenidade da Santíssima Trindade, ciclo C do Ano Litúrgico, que corresponde ao texto bíblico de João 3,16-18, publicada por Religión Digital, 25-05-2026.
Eis o comentário.
Poucas frases foram citadas com tanta frequência quanto esta, que o Evangelho de João coloca nos lábios de Jesus. Os estudiosos veem nela um resumo da essência da fé, tal como era vivida por muitos cristãos no início do século II: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito."
Deus ama o mundo inteiro, não apenas as comunidades cristãs que receberam a mensagem de Jesus. Ele ama toda a humanidade, não apenas a Igreja. Deus não é propriedade dos cristãos. Ele não deve ser monopolizado por nenhuma religião. Ele não pode ser contido dentro de nenhuma catedral, mesquita ou sinagoga.
Deus habita em cada ser humano, acompanhando cada pessoa em suas alegrias e tristezas. Ele não deixa ninguém abandonado, pois tem seus próprios caminhos para encontrar cada um de nós, sem necessariamente ter que seguir os caminhos que traçamos para Ele. Jesus O via todas as manhãs, "fazendo o seu sol nascer sobre maus e bons".
Deus não conhece, não quer e não pode fazer nada além de amar, pois no âmago do seu ser Ele é amor. É por isso que o Evangelho diz que Ele enviou o seu Filho, não para "condenar o mundo", mas para que "o mundo fosse salvo por meio dele". Ele ama o corpo tanto quanto a alma, e a sexualidade tanto quanto a inteligência. Seu único desejo é ver, agora e para sempre, toda a humanidade desfrutando da sua criação.
Este Deus sofre na carne dos famintos e oprimidos da terra; Ele está nos oprimidos, defendendo sua dignidade, e naqueles que lutam contra a opressão, encorajando seus esforços. Ele está sempre em nós para "buscar e salvar" aquilo que danificamos e arruinamos.
Deus é assim. Nosso maior erro seria esquecer isso. Mais ainda seria nos aprisionarmos em nossos preconceitos, condenações e mediocridade religiosa, impedindo as pessoas de cultivarem essa fé primordial e essencial. De que servem os discursos de teólogos, moralistas, pregadores e catequistas se não despertam o louvor ao Criador, se não fomentam a amizade e o amor no mundo, se não tornam a vida mais bela e luminosa, lembrando-nos de que o mundo está envolto por todos os lados pelo amor de Deus?
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