Nova nota técnica do Ciex reforça alerta e projeta El Niño “muito forte” no RS

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • O colapso do capitalismo, a necessidade de pensar novos mundos. Entrevista com Sabrina Fernandes

    LER MAIS
  • Parque Nacional do Albardão inspira encontro sobre preservação, fotografia e turismo regenerativo

    LER MAIS
  • Leão XIV concede a mais alta honraria diplomática ao embaixador do Irã — em meio à guerra

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Mai 2026

Documento divulgado pela Furg indica intensificação do aquecimento no Pacífico e reforça risco de chuvas acima da média no segundo semestre

A informação é de Gabriel Veríssimo, publicada por GZH, 13-05-2026

O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg), divulgou na terça-feira (12) a Nota Técnica 3, que atualiza as projeções para o fenômeno El Niño no Rio Grande do Sul.

Segundo o documento, o fenômeno pode atingir a categoria “muito forte” a partir do segundo semestre deste ano. A nova avaliação amplia o alerta anterior do centro, que classificava o evento como de intensidade forte.

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média por um período prolongado. Apesar da intensificação do cenário, o Ciex ressalta que o fenômeno ainda não está fisicamente consolidado.

O que mudou na projeção

De acordo com o meteorologista do Instituto de Oceanografia e pesquisador do Ciex, Ricardo Gotuzzo, a revisão ocorreu após a identificação de um aumento nas anomalias térmicas na subsuperfície do oceano.

Entre 100 e 200 metros de profundidade, o aquecimento já supera +6°C.

— Além disso, a partir da análise de variáveis meteorológicas, notamos que a atmosfera já começa a responder, ainda de forma branda, a este aquecimento anômalo das águas superficiais no Pacífico Equatorial — explica Gotuzzo.

Meteorologistas utilizam quatro classificações para o fenômeno: fraco, moderado, forte e muito forte. Para atingir a categoria máxima, as anomalias de temperatura precisam alcançar ao menos +2°C na região monitorada.

Chuva acima da média no segundo semestre

O principal impacto esperado para o Rio Grande do Sul é o aumento das chuvas acima da média, especialmente durante a primavera.

A nota técnica destaca que a vulnerabilidade do Estado não depende exclusivamente de um evento muito forte. Segundo o centro, episódios moderados já são suficientes para favorecer instabilidade e eventos meteorológicos adversos.

Gotuzzo explica que, com meses de antecedência, ainda não é possível determinar com precisão quais regiões serão mais afetadas.

— A previsão exata de eventos extremos só possui confiabilidade técnica na escala de curto prazo, ou seja, em uma janela de 7 a 10 dias antes de algum eventual evento — afirma.

Neste momento, a previsão permite identificar apenas uma tendência de estação mais úmida e com maior frequência de chuva, condição que estatisticamente favorece eventos severos.

Ciex aponta necessidade de antecipação

Na manhã desta quarta-feira (13), um dia após a divulgação da nova nota técnica, integrantes do Ciex participaram de uma reunião com representantes das Defesas Civis regionais, de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, além do Corpo de Bombeiros e da Agência da Lagoa Mirim.

O encontro ocorreu na sala de operações do centro, em Rio Grande, e teve como objetivo orientar gestores públicos sobre medidas antecipadas de mitigação de riscos.

Segundo o Ciex, a recomendação é que o poder público não espere o agravamento do fenômeno para agir.

A diretriz apresentada pelo centro é migrar de um modelo de resposta reativa para estratégias de proteção baseadas em antecipação científica e planejamento preventivo.

Leia mais