01 Mai 2026
O Brasil já tem uma estrutura para entrar nessa cadeia, até certo ponto consolidada, através de vários centros públicos universitários de geólogos com expertise em terras raras, o Centro Tecnológico Mineral e a Nuclebras.
O artigo é de Stella Petry, estudante de licenciatura em história da Unisinos e escritora.
Eis o artigo.
Talvez até mesmo ricocheteamos para o lado não só nossos abrasileirados afetos (como nação patriota e os sonhos pro futuro) entre nosso chão e a atmosfera cada vez mais prejudicial para nossas condições de sobrevivência, mas também, das quais, estão a capacidade produtiva de extração, separação, refino e aplicação na nossa vida por meio da indústria.
O assunto das terras raras, que voltou a ascender nacionalmente desde o dia 20 de abril com a compra definitiva da mineradora brasileira Serra Verde, operando a mina Pela Ema (GO), a única em atividade, pelos Estados Unidos, trouxe ao debate nacional os alertas de instituições, deputados e jornalistas para os malefícios do acordo intermediado pela empresa USA Rare Earth, feito pelo U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, violando a posse constitucional da União sobre as terras pelo Artigo 176 de 1988, funcionando como uma compensação pela imposição de tarifas de Trump ao Brasil (num pacote de financiamento de R$ 516 milhões de dólares) e a conclusão de mais uma etapa do domínio internacional da cadeia de extração e uso de terras raras, desta forma o país se consolida na preparação de aparato de inteligência e complexidade militar. Não só este tema nos reitera que, historicamente, não podemos nos dar a permissão de escolher retornos financeiros temporários do que a posse integral sobre as nossas riquezas.
Nos últimos dias o Governo Federal apresentou uma perspectiva um tanto controversa não só para algumas mídias liberais, tanto quanto para a base governista que outrora se posicionou em postura negativa à votação do Projeto de Lei de Política Nacional de Minerais Críticos há uma semana atrás, tendo como relator o deputado federal Arnaldo Jardim do Cidadania, (que se posicionou a favor o projeto) se declarando “terminantemente contra” a posse nacional de todas as etapas de uso dos minerais brasileiros, sendo a favor de entregá-las aos Estados Unidos, (no acordo citado, exportando toda a riqueza por 15 anos) adotando a mesma posição que o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) o AMC (Associação de Minerais Críticos) (instituições que apoiaram o desmonte da Orquina e da Nuclemon na década de 80) e o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, antes que o governo descartasse a oportunidade, chamada pelo empresariado como um retrocesso nacional.
Sendo, nesse caso, a criação de uma estatal responsável pela extração até a aplicação industrial dos minerais críticos e terras raras para utilizar a complexidade produtiva para criar valor para as mercadorias, forçar investimentos na indústria, arquitetura, farmacologia e entres outros, a Terrabras; barrando compromissadas e títulos indexados sob a lógica monetarista do Banco Central, controlado pelos bancos privados e Bolsa Internacional.
“Existe uma elevada correlação entre o nível da Selic e o custo de rolagem da dívida. Quando a Selic sobe, o custo de carregar e rolar a dívida pública tende a subir quase automaticamente, especialmente quando há parcela relevante de títulos indexados à própria Selic ou com prazos curtos. Quando há o chamado aperto monetário, ou seja, quando aumenta a taxa de juros, há restrição orçamentária para pagar os juros da dívida. Taxa de juros altas significa previdência social e saúde, em risco” (DA SILVA, Edna Aparecida. Dívida pública: o que Celso Furtado já avisava? Outras Palavras, 15/10/2025). E investimento científico nas riquezas naturais também.
O Brasil já tem uma estrutura para entrar nessa cadeia, até certo ponto consolidada, através de vários centros públicos universitários de geólogos com expertise em terras raras, o Centro Tecnológico Mineral e a Nuclebras, especializada em equipamentos nucleares, isso sem contar as empresas que já funcionam como essa estatal e algumas com ligação com o Ministério de Minas e Energia.
O governo poderia fazer uma parceria com a China para desenvolver a cadeia produtiva e com controle brasileiro, se tornando, assim, o país com o segundo maior controle da cadeia internacional; poderia enviar o Projeto de Lei da Terrabras em regime de urgência e tensionar a pauta nacionalmente se não fosse aprovada; poderia impor uma alíquota maior de exportação sobre os minerais in natura; poderia usar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e bancos públicos para negar crédito público para empresas que fazem a exportação in natura e etc. Irá aparecer para o mundo, em maio, uma articulação de apresentação de um programa econômico nacional de controle nacional e popular das terras raras, anunciada em um dos vídeos do canal Farol Brasil, que apresenta a Pré-candidatura do comunicador popular e historiador Jones Manoel.
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