09 Abril 2026
Enfrentar a violência contra as mulheres e disputar o espaço público. Lideranças indígenas reivindicaram nesta quarta-feira (8) a articulação de organizações para impulsionar políticas que tenham esses dois focos. O objetivo é fortalecer as pautas ligadas aos movimentos de mulheres nos territórios indígenas.
A reportagem é de Lorenzo Santiago, publicada por Brasil de Fato, 08-04-2026.
O debate foi feito durante a plenária “Respeitem Corpos e Territórios; Ancestralidade é força, território é vida”, realizado no 3º dia do Acampamento Terra Livre (ATL). De acordo com as debatedoras, a violência contra a mulher atravessa toda a sociedade e é uma mazela que precisa ser enfrentada também nas terras indígenas.
Para isso, a plenária levantou a importância das organizações criarem departamentos de mulheres para impulsionar esses debates nos territórios indígenas. Hoje, só a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) tem um. Uma das propostas apresentadas é que a Associação dos Povos Indígenas (Apib) e outros grupos também tenha setores voltados para o enfrentamento ao machismo nas comunidades.
Segundo Cacique Were, liderança da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), mulheres de todas as regiões relatam violências sofridas de diferentes maneiras nos territórios. Ela defende um plano nacional para esse enfrentamento.
“Nós distribuímos por estados e por região para traçar metas e trazer as demandas e angústias. Em quase todas as regiões a fala era a mesma: as violências nos territórios. E precisamos avançar para acabar com isso. Falamos sobre violências que nós sofremos não só físicas, mas também simbólicas, com a invisibilização de lideranças, por exemplo”, disse ao Brasil de Fato.
A plenária também definiu a necessidade de lançar candidaturas de mulheres indígenas nas eleições deste ano. De acordo com a Apib, o número de mulheres candidatas indígenas nas eleições de 2022 já havia batido 85 candidaturas. O dado representa um aumento de 193% em relação a 2014, quando 29 mulheres indígenas haviam sido candidatas.
Na Câmara dos Deputados foram 4 eleitas: Sônia Guajajara (Psol-SP), Célia Xakriabá (Psol-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Silvia Waiãpi (PL-AP).
Thais Campos é coordenadora da Apoinme e entende que é preciso disputar esse espaço para não ceder lugar para latifundiários e empresários que vão votar contra indígenas. De acordo com ela, o voto indígena não está à venda e precisa ter peso no pleito.
“Nós estamos abrindo as portas para que outros possam continuar essa construção. A nossa má organização política nos territórios refletiu a falta de representações durante muito tempo nos espaços Legislativos. Agora precisamos trazer todos para essa responsabilidade. Sônia foi eleita na capital com mais eleitores e quebrou uma barreira importante. Agora precisamos dar andamento a essa trabalho”, disse ao Brasil de Fato.
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