06 Abril 2026
O Patriarca de Jerusalém presidiu a missa do Domingo de Páscoa na Basílica do Santo Sepulcro, a portas fechadas e com um pequeno grupo de frades, devido às restrições israelenses impostas no contexto da guerra com o Irã.
A informação é publicada por Religión Digital, 05-04-2026.
O Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu neste Domingo de Páscoa na Basílica do Santo Sepulcro, a portas fechadas e com um pequeno grupo de frades, devido às restrições israelenses no contexto da guerra com o Irã.
Foto: Vatican Media
"Aqui, dentro deste Sepulcro, não nos deparamos com um símbolo: deparamo-nos com um vazio real", começou o Cardeal Pizzaballa em sua homilia, referindo-se ao prolongado fechamento de um dos locais mais sagrados do cristianismo.
"A Páscoa começa assim: não com uma explicação, mas com uma ruptura. Não com emoção, mas com uma pergunta desorientadora ", disse o líder religioso, que foi impedido pela polícia israelense de celebrar a missa no Domingo de Ramos, causando uma comoção internacional que forçou o governo de Benjamin Netanyahu a mudar sua política.
٥ نيسان ٢٠٢٦ – أحد قيامة الرب: ترأس غبطة الكاردينال بييرباتيستا بيتسابالا، بطريرك القدس للاتين، القداس الاحتفالي في كنيسة القيامة. ومن أقدس موقع في الايمان المسيحي حيث صُلب المسيح ودُفن وقام، تُعلن الكنيسة: المسيح قام! اهللويا!
— Latin Patriarchate of Jerusalem (@LPJerusalem) April 5, 2026
On April 5th, 2026, Easter Sunday, H.B. Card.… pic.twitter.com/smQalXjdka
O patriarca e cerca de vinte pessoas, incluindo figuras religiosas e alguns frades residentes no complexo, participaram da cerimônia nesta basílica, localizada na Cidade Velha de Jerusalém Oriental ocupada, de acordo com um vídeo da missa, enquanto a polícia israelense impedia a entrada de fiéis que se reuniam nas proximidades com palmas, cruzes e velas.
Alguns dos fiéis que compareceram ao local expressaram sua tristeza e frustração por não poderem participar de uma das celebrações mais importantes do calendário cristão.
"É muito difícil querer vir rezar e não encontrar nada", disse à EFE Cristina Toderas, de 44 anos, moradora de Jerusalém e originária da Romênia. "Fora da Cidade Velha, as igrejas estão abertas. (...) E para nós, por que está tudo fechado?", lamentou.
Da mesma forma, Deivis, um cristão residente em Tel Aviv, ecoou a sua pergunta e afirmou que "deveriam deixar as pessoas entrarem porque a religião pertence a todos".
Desde o início da guerra com o Irã, Israel mantém as entradas da Cidade Velha vigiadas por uma forte presença policial, e bares e lojas permanecem fechados desde que o conflito eclodiu em pleno Ramadã, paralisando toda a atividade econômica e as orações no Monte do Templo.
Simultaneamente, a tradicional Bênção Sacerdotal (Birkat Kohanim) para a festa judaica da Páscoa foi celebrada neste domingo . Aproximadamente cinquenta rabinos participaram, orando na seção subterrânea do Muro das Lamentações em vez da esplanada.
Devido ao estado de emergência, as medidas de segurança atuais restringem as reuniões em espaços públicos a um máximo de 50 pessoas, desde que existam abrigos nas proximidades, os quais não existem em Jerusalém Oriental.
No entanto, essa mesma medida foi violada por israelenses que comemoravam o Purim em março e, segundo os organizadores dos protestos que acontecem todos os sábados contra a guerra, esse número é frequentemente ultrapassado nas mesmas praias de Tel Aviv, sem que a polícia intervenha (força policial que dispersou uma manifestação contra a guerra ontem, prendendo 17 pessoas em Tel Aviv).
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