Bispo Kräutler: Papa Francisco decidiu contra os "viri probati" devido às pressões contrárias

Dom Erwin Kräutler. (Foto: Reprodução | Vatican News)

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30 Março 2026

O bispo emérito da Amazônia, Dom Erwin Kräutler, nascido na Áustria, está convencido de que o Papa Francisco, sob pressão, não ousou permitir a ordenação de homens comprovadamente casados ​​como "viri probati".

A reportagem foi publicada por katholisch, 27-03-2026.

O bispo emérito da Amazônia, D. Erwin Kräutler, nascido na Áustria, está convencido de que o Papa Francisco, sob pressão, não ousou permitir a ordenação de homens comprovadamente casados ​​como "viri probati". Em sua exortação pós-sinodal Querida Amazônia (2020), o chefe da Igreja formulou diversas visões, por exemplo, sobre justiça social, ecologia e a Igreja — "e até a visão da Igreja, estávamos todos felizes", disse o bispo emérito do Xingu no podcast "Laut+Leis" (sexta-feira, 27-03-2026). A visão da Igreja, aliás, foi inicialmente formulada "maravilhosamente". Ela afirmava, por exemplo, que tudo deveria ser feito para garantir que o povo da região amazônica pudesse celebrar a Eucaristia.

"E então veio a ruptura", disse o bispo emérito. "Eu me pergunto: quem é o responsável por essa ruptura? Mesmo hoje, quando leio sobre isso, parece-me que houve uma segunda mão, ou uma terceira mão, ou alguém mais por trás disso." Ele não conseguiu identificá-los, no entanto; não tinha o acesso necessário. "Continuo acreditando que o Papa Francisco não queria isso, mas que estava sob tanta pressão que não conseguiu fazer de outra forma, psicologicamente, pessoalmente." Ele então deixou de se atrever a permitir a ordenação de homens casados ​​ao sacerdócio, embora antes tivesse encorajado propostas ousadas.

Para ser revertido com uma assinatura

“Queríamos que as mulheres também tivessem acesso à Ordem Sagrada”, explica Kräutler, descrevendo o objetivo dos bispos da Amazônia. A maioria das pequenas paróquias já é liderada por mulheres, observa o bispo.

A abolição do celibato obrigatório também era uma preocupação fundamental. “Até hoje, é assim: nós, padres, vamos de paróquia em paróquia. E o ideal é que ele viva na paróquia e com a comunidade – seja homem ou mulher.” Uma mulher pode sentir o chamado tanto quanto um homem. Todas essas são “decisões canônicas que podem ser revertidas com uma assinatura”, destaca Kräutler. Os bispos esperavam que o Papa Francisco desse esse passo.

Kräutler foi prelado da Prelazia Territorial do Xingu, no Brasil, de 1981 a 2015 e ajudou a preparar o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, em outubro de 2019. Ele também fez parte da equipe editorial que resumiu as decisões do Sínodo. Segundo o relatório, mais de dois terços dos membros do Sínodo votaram a favor da ordenação dos chamados "viri probati", ou seja, homens casados ​​que se provaram na vida e na fé. Essa medida visava aliviar a escassez de padres na região amazônica. No entanto, o Papa Francisco não abordou essa votação em sua exortação apostólica Querida Amazônia.

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