"Armas letais gerenciadas por algoritmos", diz gerente da OpenAI ao cargo

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09 Março 2026

O chefe da área de Robótica renuncia em meio a uma disputa com a empresa de Altman: "Era preciso pensar mais; é uma questão de princípio."

A reportagem é de Massimo Basile, publicada por La Repubblica, 09-03-2026.

A aliança entre a OpenAI e o Pentágono, selada antes do início da guerra com o Irã, também produziu resultados nos Estados Unidos: a chefe do departamento de robótica do aplicativo de inteligência artificial fundado por Sam Altman anunciou sua renúncia. Caitlin Kalinowski, que liderava as equipes de hardware e robótica desde novembro de 2024, decidiu deixar o cargo.

“Demiti-me da OpenAI”, escreveu Kalinowski no X e no LinkedIn. “Tenho um carinho enorme pela equipe de robótica e pelo trabalho que construímos juntos. Esta não foi uma decisão fácil. A IA tem um papel importante na segurança nacional.” “Mas a vigilância de cidadãos americanos sem supervisão judicial e a autonomia letal sem autorização humana são limites que mereciam mais consideração do que receberam”, acrescentou.

Kalinowski concluiu sua mensagem de despedida enfatizando a questão principal: a questão ética. "Essa escolha foi baseada em princípios, não em pessoas. Tenho profundo respeito por Sam e pela equipe, e estou orgulhoso do que construímos juntos." Sua decisão ocorre em meio à crescente controvérsia sobre o quanto as empresas de IA devem apoiar o uso da tecnologia pelas forças armadas dos EUA.

Nos últimos dias, as negociações entre o Pentágono e a Anthropic, empresa californiana liderada pelo ítalo-americano Dario Amodei, fracassaram depois que a empresa levantou preocupações éticas sobre o uso de inteligência artificial para vigilância interna e sua aplicação em armas autônomas. Amodei levantou essas preocupações após o programa da empresa, Claude, ter sido usado na operação de 3 de janeiro na Venezuela, que levou à prisão do presidente Nicolás Maduro e à morte, segundo Caracas, de cerca de cem pessoas, incluindo civis.

A Anthropic havia expressado sua oposição ao uso dos algoritmos de Claude pelo Pentágono para espionar cidadãos americanos e ao controle de armas por robôs. As dúvidas de Amodei provocaram ameaças do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que estava pronto para rotular a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos", uma classificação geralmente usada para empresas com laços com países hostis aos Estados Unidos (a Anthropic entrou com um processo judicial após a ameaça). Então, em uma de suas reações tempestuosas, o presidente Donald Trump anunciou a proibição da Anthropic, impedindo seu uso por todas as agências federais. Amodei tentou apaziguar os ânimos, mas era tarde demais.

Entretanto, Altman interveio e chegou a um acordo com o Pentágono para usar a OpenAI, justamente na véspera do ataque ao Irã. Altman explicou que o governo não usaria IA para monitorar cidadãos americanos e que estabeleceria uma linha vermelha para seu uso em operações militares. Na realidade, o Pentágono havia imposto uma condição a todos os contratados: nenhum limite para o uso de IA. A renúncia de Kalinowski sugere que Altman pode ter cedido a todas as exigências do Pentágono.

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