06 Janeiro 2026
"Chegou a hora de um novo internacionalismo que envolva os diversos atores que não atuam em favor da dominação imperial", escreve Jorge Alemán, psicanalista e escritor, em artigo publicado por Página/12, 06-01-2026.
Eis o artigo.
É impossível aceitar que os serviços de inteligência chineses e russos não soubessem nada sobre o sequestro de Maduro e a violação do direito internacional.
Mais uma vez, confirma-se que a relação entre as potências mundiais — Estados Unidos, Rússia e China — deve ser analisada com muita atenção, através de uma lente que nos permita decifrar a nova geopolítica global. Essa geopolítica não pode mais ser discutida usando a lógica da Guerra Fria ou assumindo a existência de um mundo multipolar. Não existe multipolaridade, nem existem órgãos reguladores internacionais eficazes.
O capitalismo unificou o mundo por meio de um processo desigual, porém contínuo, de separação entre capitalismo e democracia e, consequentemente, da substituição das tradições liberais por uma estratégia belicosa e neoliberal na construção da realidade. A interação das relações de poder e seus mecanismos adentrou um mundo de cumplicidade entre os que detêm o poder e de tensões com desfechos imprevisíveis.
Isso demonstra, mais uma vez, uma situação trágica para a América Latina e humilhante para a Europa.
Chegou a hora de construir uma frente global marcada pelos ideais de democracia, soberania e justiça social, sem que nada garanta a possibilidade desse compromisso decisivo.
Esperar uma proteção decisiva e firme da China ou da Rússia sobre a América Latina é uma ingenuidade anacrônica que nos impede de compreender como se desenrolam as relações de poder entre os diferentes neoimperadores, suas zonas de influência e a exploração de recursos.
Chegou a hora de um novo internacionalismo que envolva os diversos atores que não atuam em favor da dominação imperial.
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