“Jovens cada vez mais sozinhos no mundo real: certas experiências deixam grandes feridas”. Entrevista com Massimo Ammaniti

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16 Abril 2025

Famílias ausentes, escolas desorientadas. E os adolescentes? “Eles estão cada vez mais sozinhos na vida real e afogados pelo fluxo incessante do mundo digital”. Vivem vidas paralelas onde as realidades se sobrepõem e “as emoções são reduzidas a emojis”. “Mas, façam o favor, as emoções são o tecido da vida humana”, diz Massimo Ammaniti, professor honorário de Psicopatologia do Desenvolvimento na Universidade La Sapienza de Roma. Ele está entre os psicanalistas italianos mais conhecidos e especializados na fase do desenvolvimento.

Professor Ammaniti, em seu último livro “I paradossi degli adolescenti” (Os paradoxos dos adolescentes), publicado pela Raffaello Cortina Editore, fala de muitas adolescências e da relação entre pais e filhos. O que está acontecendo com as famílias? “Mais de 50% das famílias de hoje têm apenas um filho. No passado, havia um mundo de pais e um mundo de filhos e, acima de tudo, filhos que viviam entre si. Havia uma diferença de papéis. Hoje, os filhos vivem dentro das relações dos pais, vivem os ódios e os ressentimentos, são expostas muito precocemente a uma série de experiências adultas que não conseguem entender e processar, tanto no mundo real quanto no mundo digital, onde se movem com demasiada facilidade até mesmo em sites pornográficos. As famílias precisam pôr um limite a isso, desde a infância”.

A entrevista com Massimo Ammaniti, é de Elisa Forte, publicada por ‘La Stampa’ 12-04-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

A fisionomia do adolescente mudou devido às transformações sociais e culturais. Como se expressa hoje?

A adolescência é e continua sendo um período em que é preciso vivenciar experiências plenamente e ao vivo. Mas os smartphones estão devorando o mundo dos adolescentes. Eles vivem uma vida paralela virtual com os emojis. Mas, façam o favor, é uma piada. As emoções são os emojis? Não, as emoções são o tecido da vida humana, são estados de espírito, a ativação do cérebro. Quando sentimos uma emoção, da vergonha à alegria, o corpo ressoa: isso é importante que as famílias garantam a seus filhos, não uma imersão nos emojis.

Na adolescência, muitas vezes se perde a própria direção”, escreve em seus livros: naquele caso horrível de Vercelli (aliciamento online em troca de drogas, NT), foi a amiga da vítima que denunciou.

A adolescência é caracterizada por comportamentos e impulsos irreconciliáveis, por paradoxos insolúveis. Mas também por períodos de bonança e de bons exemplos”. “Garotas devassas”. Os policiais falam de “jovens que não se preocupam com a esfera íntima, suas ações são execráveis.

Esse é um juízo moral pesado. Em vez disso, os policiais deveriam ter se questionado sobre os pais. Onde estão? Os pais muitas vezes não percebem o que está acontecendo com seus filhos, estão por demais envolvidos em seus problemas de trabalho, querendo ser jovens, mas a primeira pergunta da polícia deveria ter sido essa, não culpar as jovens.

Nos países do norte da Europa, a educação sexual afetiva vem sendo feita desde a década de 1950. Na Itália, não é uma disciplina obrigatória. Seria útil se fosse?

Tenho certa perplexidade com relação aos cursos afetivos nas escolas. Na realidade, as emoções e os afetos se aprendem, em primeiro lugar, com os pais, desde a primeira infância. A criança na família constrói e aprende o vocabulário afetivo e relacional, conhece a raiva, a admiração, o amor. O grande cento de treinamento é a família, não apenas nos primeiros anos, mas também depois, especialmente na adolescência. Se pensarmos que podemos ensinar educação afetiva com aulas na escola, não estamos no caminho certo: as emoções não podem ser aprendidas teoricamente.

Como o valor dos sentimentos pode ser ensinado aos mais jovens?

Com a ajuda de todos nós e, acima de tudo, da família. A situação da menina estuprada em Vercelli é um fato terrível que deixa grandes feridas em um momento delicado e difícil de crescimento da personalidade. Isso me fez lembrar do belíssimo e quase profético filme estadunidense Thirteen: que conta como a vida da protagonista, uma menina de treze anos, é virada de cabeça para baixo quando uma colega de classe chega e a introduz em um mundo terrível feito de abuso de substâncias, sexo e crime. Felizmente, a mãe percebe a situação e consegue trazê-la de volta ao seio familiar. 

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