01 Abril 2025
"A evolução requer a história. Os antigos pensavam que havia originalmente um Adão perfeito, mas nada pode confirmar essa teoria. O homem deve e de fato se transforma na história, assim como a percepção que o homem tem de Deus", escreve Paolo Rodari, jornalista, em artigo publicado por Il Manifesto, de 28-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Ele achava que Darwin não era um herege, longe disso. E que somente a evolução poderia explicar a complexidade da realidade e o mistério de Deus. É por isso que ele foi marginalizado, forçado a emigrar para os EUA poucos anos antes de sua morte, há setenta anos, em 1955, depois que um monitum do Santo Ofício, presidido pelo Cardeal Ottaviani, ordenou que as congregações religiosas retirassem suas obras de todas as bibliotecas.
Mas hoje, quase fora do prazo, o L'Osservatore Romano está, de certa forma, prestando a ele uma reabilitação pública, dedicando-lhe duas páginas por ocasião da publicação, pela Livraria editora vaticana, de uma biografia sua escrita pela historiadora Mercè Prats e intitulada simplesmente com seu primeiro nome e sobrenome, Pierre Teilhard de Chardin.
Aleluia, caberia dizer. Jesuíta francês, filósofo e paleontólogo, Teilhard assustou as hierarquias ao questionar o papel de Deus, o criador, e ao defender a origem darwiniana das espécies. No entanto, admite hoje o Cardeal José Tolentino de Mendonça, sua obra representa “uma tentativa ousada de integrar a evolução cósmica com uma visão espiritual do universo”. Embora não se saiba até que ponto, dentro dos muros sagrados, estejam convencidos da profecia que seu pensamento representou para o mundo. Acima de tudo, seu núcleo mais escandaloso: a uma Igreja que, com a Humani Generis (1950) de Pio XII, erguia muros de defesa contra “algumas falsas opiniões que ameaçam subverter os fundamentos da doutrina católica”, o “sacerdote incompreendido” - como Francisco o definiu em 2023 - respondia que não há doutrina dada de uma vez por todas.
“Até mesmo o pensamento que temos de Deus só pode evoluir”, disse Carlo Molari, seu discípulo, falando sobre ele há pouco tempo. E ainda: “Dele não sabemos nada de absoluto. Podemos apenas esboçar algo, mas sempre adaptando o que dizemos à experiência que temos, ao fato de que evoluímos”. Porque “tudo na história está em evolução”. E é assim, mesmo que “na Igreja, ainda hoje, existem aqueles que pensam que a ortodoxia deve ser salvaguardada e que toda evolução é ruim. Mas o mal é justamente ter essa visão das coisas”. A evolução requer a história. Os antigos pensavam que havia originalmente um Adão perfeito, mas nada pode confirmar essa teoria. O homem deve e de fato se transforma na história, assim como a percepção que o homem tem de Deus. Como paleontólogo, Tehilard está bem ciente de que nunca encontrará um vestígio desse Adão ou do paraíso. E ele propõe outras maneiras de explicar a origem do universo, do homem. O susto do Santo Ofício diante de sua modernidade é o medo atávico que desde sempre faz parte da vida da Igreja. Medo que, como Mercè Prats justamente relata, está no coração de uma instituição que está ciente “de que está perdendo terreno na sociedade moderna”. E ainda: “Medo que também existe naqueles que buscam, de alguma forma, colocar a fé católica no centro da sociedade e que são suspeitos de introduzir o inimigo para dentro da fortaleza”.