Organizações pedem veto integral de Lula a PL do genocídio

(Foto: Pedro Ladeira | Greenpeace)

Mais Lidos

  • Jesuíta da comunidade da Terra Santa testemunha o significado da celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo em uma região que se tornou símbolo contemporâneo da barbárie e do esquecimento humano

    “Toda guerra militar é uma guerra contra Deus”. Entrevista especial com David Neuhaus

    LER MAIS
  • O sentido da cruz de Cristo: superação da lógica sacrificial expiatória como consequência do amor radical a Deus e à humanidade. Artigo de Elias Wolff

    LER MAIS
  • A ressurreição no meio da uma Sexta-feira Santa prolongada. Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Outubro 2023

Carta de 61 entidades chama projeto de maior violação aos direitos humanos desde o fim da ditadura e aponta que 70 mil indígenas seriam imediatamente prejudicados.

A informação é de Observatório do Clima, 09-10-2023.

O marco temporal é apenas um dos problemas— e talvez nem seja o maior. Nesta segunda-feira (9/10), um grupo de 61 entidades da sociedade civil enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o veto integral ao PL 2.903, o do genocídio indígena. As organizações afirmam que o texto aprovado num rolo compressor pelo Senado no último dia 27 é a “maior violação aos direitos humanos e às terras indígenas desde a redemocratização. A Lula só resta vetá-lo na íntegra, se quiser se manter fiel à Constituição, às promessas que fez aos povos indígenas e ao próprio discurso de proteção ao clima.

Na carta, as organizações destacam que o PL “desmonta, em vários de seus dispositivos, o próprio conceito de terra indígena consagrado da Carta Magna”. Ele permite, por exemplo, a retomada de reservas indígenas pela União com base em critérios subjetivos, para não dizer racistas, como “alteração de traços culturais” das comunidades.

Apenas esse dispositivo põe em risco imediato pelo menos 66 territórios já demarcados, homologados e registrados, habitados por mais de 70 mil indígenas e com uma área total de 440 mil hectares. “A possibilidade é uma nítida afronta ao artigo 231, da Constituição”, diz o documento. Há outras, como a permissão de venda, compra e arrendamento de terras indígenas, que golpeia mortalmente o princípio norteador da Carta Magna, segundo o qual as terras indígenas são bens indisponíveis, dedicadas à preservação da cultura e do modo de vida dos povos.

“Além dessas inadmissíveis violações, a proposta impede a retirada de invasores das terras indígenas enquanto o processo de demarcação não for concluído, transformando as terras indígenas e a Amazônia brasileira em terras de ninguém, desprotegidas da atuação legítima do Estado brasileiro no combate ao crime organizado e à violência”, prossegue a carta a Lula.

Além de proteger quase 700 mil pessoas que as habitam, as terras indígenas do Brasil também são fundamentais para a segurança climática. Somente na Amazônia elas armazenam o equivalente a 42 bilhões de toneladas de gás carbônico, e são os territórios menos desmatados do país: em 2021, segundo o MapBiomas, menos de 2% da perda de vegetação nativa no país aconteceu em terras indígenas, contra 9% em unidades de conservação e 80% em áreas privadas.

Leia mais