Por que eu pedi demissão. Comunicado de Hans Zollner

Hans Zollner. (Foto: Gregory A. Shemitz | CNS)

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30 Março 2023

"É por causa desses problemas estruturais e práticos que decidi deixar a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores", escreve o Pe. Hans Zollner, diretor do Instituto de Antropologia e Estudos Interdisciplinares sobre a Dignidade Humana e o Cuidado (IADC) da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma,  consultor da Diocese de Roma sobre a questão dos abusos, e ex-membro da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, em comunicado publicado por Settimana News, 29-03-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o texto.

Depois de servir como membro da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores nos últimos nove anos, apresentei minha renúncia, que foi aceita em 14 de março de 2023.

Desejo agradecer ao Presidente, aos membros e funcionários da Comissão, antigos e atuais, que compartilham a esperança de construir uma Igreja mais segura.

A proteção de crianças e adultos vulneráveis deve estar no centro da missão da Igreja Católica. Essa havia sido a esperança que eu e muitos outros compartilhávamos desde o início da Comissão em 2014. No entanto, no decorrer do meu trabalho na Comissão, notei questões que precisam ser enfrentadas com urgência e que me tornaram impossível continuar.

Nos últimos anos, tenho me preocupado cada vez mais com a forma como a Comissão, a meu ver, tem alcançado esse objetivo, principalmente na área da responsabilidade, da conformidade, da prestação de contas e transparência. Estou convencido de que esses sejam os princípios que qualquer instituição eclesiástica, ainda mais a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, deve respeitar.

No que diz respeito à conformidade, houve falta de clareza sobre o processo de seleção de membros e do pessoal e suas respectivas funções e responsabilidades.

Outra área de preocupação é aquela da responsabilidade financeira, que considero inadequada. É fundamental que a Comissão mostre claramente como os fundos são usados para o seu trabalho.

Além disso, deveria haver transparência sobre como são tomadas as decisões na Comissão. Muitas vezes não houve informações suficientes com comunicação vaga com os membros sobre como certas decisões foram tomadas.

Finalmente, não tenho conhecimento de nenhum regulamento que discipline as relações entre a comissão e o Dicastério para a Doutrina da Fé, desde que a comissão foi inserida no Dicastério em junho passado.

É por causa desses problemas estruturais e práticos que decidi deixar a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores.

Pretendo me concentrar em meu novo papel como conselheiro da Diocese de Roma e diretor do Instituto de Antropologia (IADC) para tornar o mundo um lugar mais seguro para as crianças e as pessoas vulneráveis por meio de nossos esforços acadêmicos e científicos.

Permaneço à disposição para discutir sobre tutela com a Comissão e espero que as questões acima mencionadas possam ser resolvidas de forma sustentável.

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