RS: retomada Kaingang-Xokleng em Porto Alegre corre risco de reintegração de posse

V Assembleia dos Povos, na Terra Indígena Kaingang Van Kâ, em Porto Alegre (RS) | Foto: Roberto Liebgott/Cimi Regional Sul

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07 Dezembro 2022

O prazo é de 15 dias para que os indígenas deixem de forma voluntária o território, localizado no Morro Santana.

A reportagem é de Clara Aguiar, publicada por Brasil de Fato, 05-12-2022.

Dezenas de famílias indígenas que compõem a retomada multiétnica Kaingang-Xokleng foram surpreendidas, nesta segunda-feira (5), com uma liminar de reintegração de posse de uma área localizada no Morro Santana, zona leste de Porto Alegre. Segundo as lideranças, o local é um território sagrado onde os seus antepassados nasceram e viveram.

A liminar foi expedida pela juíza Clarides Rahmeier, da 9ª Vara Federal de Porto Alegre. Foram dados 15 dias para a saída voluntária, prazo que ainda não começou a contar. Na última sexta-feira (2), a mesma juíza pediu a reintegração de posse da retomada Mbya Guarani situada no Mato do Júlio, em Cachoeirinha, região metropolitana da Capital.

"Esperamos que ela volte atrás pela vida das crianças que estão aqui, ela está colocando mais vidas indígenas nas ruas. Não estamos fazendo mal a ninguém, estamos aqui para plantar e evitar que mais crianças estejam na rua", conta Iracema Gah Té, liderança espiritual Kaingang.

Com importância ecológica e arqueológica comprovada, a área retomada pelos indígenas dos povos Kaingang e Xokleng estava sem função social há mais de 40 anos. De acordo com registros historiográficos, o Morro Santana foi um território indígena por milhares de anos até a chegada dos primeiros colonizadores. Sendo o ponto mais alto da capital gaúcha (311 metros), o local hoje é ameaçado pela especulação imobiliária.

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