Irmãs religiosas influenciadoras

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24 Outubro 2022

Com o celular conectado e o carregador na mochila, quarenta irmãs "youtuber" chegaram a Roma de todo o mundo - Polônia, Burkina Faso, Índia, Quênia, Filipinas, Brasil - depois de se inscrever no laboratório “Práticas e formatos da comunicação digital para a vida religiosa”. Elas são aspirantes a influenciadores da fé e frequentaram a escola de redes sociais. “Irmãs online. Ou melhor , ‘onlife’”, afirmam os promotores do curso, “para usar o termo cunhado pelo filósofo Luciano Floridi que indica a atual condição social caracterizada pela fusão entre mundo físico e virtual”.

A reportagem é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 23-10-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

O encontro foi organizado nos últimos dias pela União das Superioras Maiores da Itália (Usmi), ou seja, as responsáveis dos institutos religiosos femininos. Teoria e prática se alternaram no seminário dirigido por Massimiliano Padula, professor do Instituto Pastoral da Pontifícia Universidade Lateranense, Marco Calvarese, jornalista do SIR, e por Dom Domenico Bruno, podcaster. Cada irmã é uma formadora de postulantes (noviços e juniores, ou seja, aqueles que aspiram ou estão se preparando para ingressar em uma ordem religiosa) e através do curso se aventurou na produção de vídeo, áudio e compartilhamento nas redes sociais.

Padula explica que “partimos de uma lógica sinodal: as ouvimos convidando-as a preencher um questionário no qual pedíamos que explicassem o motivo de seu interesse e expectativas.

Assim, modulamos nossa proposta sobre suas expectativas que podem ser resumidas nesta expressão: ‘Aprender a entender e a fazer’". O objetivo não é tornar as religiosas “apenas freiras youtubers ou influenciadoras, mas também conscientes de que, no atual cenário digital, as oportunidades de participação, storytelling e representação são muitas. Ainda mais se quem faz a narrativa for uma mulher que deu sua vida a Jesus e pode transmitir seus ensinamentos de maneira autêntica”.

Padula destaca como a resposta foi "além de todas as expectativas", chegando a superar certos tabus ou medos em relação à galáxia da web: as consagradas "ouviram e trabalharam com entusiasmo e curiosidade, conseguindo também derrubar uma certa visão que percebe o universo digital como um lugar ambíguo e escuro. Ou seja, compreenderam que o seu protagonismo, a possibilidade de poder comunicar-se e comunicar o seu próprio carisma pode colorir de verdade e de beleza um espaço que agora faz parte de nós”. É também por isso que “escolhemos o smartphone como a única ferramenta de trabalho, porque é um dispositivo que acompanha a nossa vida e que podemos usar com facilidade”.

A Irmã Paola Fosson é Filha de São Paulo, originária do Vale de Aosta, vive em Roma. Para a Usmi ela coordena as atividades de comunicação que também incluem essa iniciativa, nascida “da consciência de que nós religiosas não vivemos fora do mundo. Somos chamadas a um seguimento de Cristo, a uma vida de oração, a uma ação apostólica, a uma vida contemplativa, a realizar-se plenamente dentro da humanidade e da sociedade: hoje são orientadas pelas lógicas digitais que vivemos na vida cotidiana, mas muitas vezes não entendemos completamente”.

Alessandra Zanin é religiosa das Irmãs da Misericórdia de Verona. Ela está convencida de que proibir o uso de smartphones “não é a forma mais correta de educar sobre o uso adequado. Por outro lado, é essencial acompanhar todas as irmãs, especialmente aquelas que estão em formação, dando-lhes critérios que as ajudem a relacionar-se de maneira adequada com os jovens e para que o uso desses meios seja sempre inspirado pelo Evangelho e seja condizente aos nossos valores e à nossa missão".

Barbara Danesi, das freiras franciscanas elizabetanas, considera necessário “ir além da lógica que tende a nos encher de teoria e começar a aprender a fazer”. Comunicar o Evangelho com um vídeo ou através de um podcast “nos dá novas oportunidades de encontrar os jovens, desejosos de viver a fé também através dos espaços e tempos digitais”.

Sylvie Yoaga vem de Burkina Faso e pertence à grande família religiosa camiliana (Filhas de São Camilo): com suas colegas, superou "um ceticismo inicial em relação às redes sociais. Entendi que o digital não é um mundo do qual manter distância, mas a ser vivenciado com consciência e competência”. Aprender a fazer um meme, um vídeo, um podcast “significa internalizar novas linguagens para difundir a mensagem cristã. Nunca ultrapassando, no entanto, o sentido do limite”.

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