O sábado. Artigo de Raniero La Valle

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10 Outubro 2022

 

No domingo, 02-10-2022, o Francisco, em vez de explicar o Evangelho no Angelus, como vem fazendo há nove anos e os outros papas faziam antes dele, colocou-se em campo pela paz mundial, renovando depois de dois mil anos o escândalo, ele chefe do Sábado, segundo o qual o Sábado (o Evangelho) é feito para o homem e não o homem para o Evangelho. Suplicou a Putin que parasse, também por amor ao seu povo, essa espiral de violência e morte, apelou a Zelensky para se abrir ao diálogo, ou seja, à negociação, sobre propostas sérias de paz, pediu insistentemente aos protagonistas da vida internacional, isto é, a ONU, a União Europeia e a OTAN, e aos líderes políticos das nações, ou seja, Biden, Ursula e Stoltenberg, para pôr fim à guerra em curso, sem se deixar envolver em escaladas perigosas.

 

O comentário é de Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano, em artigo publicado em Chiesa di tutti Chiesa dei poveri, 07-10-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Ele não pediu a apenas um que parasse a espiral da guerra, impossível para apenas um, mas que se fizesse por meio de uma negociação entre os protagonistas. Deixando de lado as salas de tortura, o roubo de dentes de ouro dos mortos, o plano perverso da conquista da Ucrânia, da Polônia e, com efeito dominó, de toda a Europa e o restabelecimento do Império de Pedro, o Grande, as negociações devem ocorrer sobre a verdadeira disputa que está na origem da guerra, ou seja, apesar das anexações colocar de novo em jogo o status das quatro regiões de Donbass e a entrega da Ucrânia à OTAN. Putin respondeu com silêncio, Zelensky respondeu promulgando uma lei proibindo negociações com a Rússia e pedindo mais armas, os outros protagonistas responderam esperando que a Rússia recorresse à arma atômica tática e se preparando para responder com as armas nucleares estratégicas.

 

Saberão agora os líderes das nações, os senhores de suas opiniões públicas, os opostos promotores das manifestações "pela paz", Micromega, os partidos, os associados nas alianças de governo e saberemos nós também sacrificar cada um seu Evangelho para homem, e não o homem ao seu Evangelho?

 

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