EUA: as freiras e os gigantes da tecnologia

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03 Janeiro 2022

 

A assembleia anual dos acionistas da Microsoft foi caracterizada por um discurso sem precedentes da Ir. Susan François, que pertence à Congregação de São José da Paz.

O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 27-12-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Ir. François falou em nome de um grupo de acionistas minoritários engajados no âmbito da justiça social, apresentando duas propostas de votação: a primeira sobre a compatibilidade dos valores fundamentais afirmados pelos gigantes da tecnologia com as suas atividades de lobby político e financeiro; a segunda, por sua vez, pedia à Microsoft que proibisse a venda de suas tecnologias de reconhecimento facial e dos dados já coletados por meio delas a qualquer instância estatal.

Vários estudos têm mostrado problemas de discriminação racial relacionados aos sistemas de reconhecimento facial, razão pela qual a venda de dados ou de tecnologias aos Estados para procedimentos penais ou políticos de imigração com base nesse tipo de perfilização é extremamente problemática no que diz respeito aos direitos fundamentais da pessoa.

As duas propostas de votação apresentadas pela Ir. François têm origem no fato de a Microsoft, apesar de afirmar que não repassa dados ou tecnologias de reconhecimento facial a organizações que operam no âmbito desse tipo de perfilização racial, apoiar sistemas de lobby que se opõem a esse tipo de regulamentação do uso público de dados.

Os pedidos apresentados pela Ir. François foram fortemente rejeitadas pela Microsoft. Um dos representantes legais da empresa afirmou que os procedimentos atualmente em curso são mais do que suficientes para dar conta das ações da Microsoft em relação à legislação atualmente em vigor. Apesar disso, ele disse que, no próximo relatório anual, a Microsoft se comprometerá a tornar mais transparentes as saídas financeiras no âmbito de apoio político e também a agenda política da empresa.

Ambas as propostas foram rejeitadas pela assembleia de acionistas da Microsoft, mas a Ir. François avaliou a votação como um sucesso: de fato, a proposta referente às atividades de lobby da Microsoft obteve 38% de votos favoráveis – uma porcentagem notável para esse tipo de proposta de votação no âmbito de empresas que produzem tecnologias.

Além disso, o fato obteve um destaque considerável tanto nas mídias clássicas quanto na esfera da comunicação digital.

 

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